sábado, 6 de julho de 2013

Indo até os INVISÍVEIS

DEVOCIONAL – 07/07/13

TextoJo 4.35-38

Observações:

A geografia de Israel apresenta um quadro de recursos hídrico muito pobre. Em virtude dessa escassez de mananciais, os poucos existentes eram uma verdadeira bênção e dom de Deus, por isso, eram bem conservados e cuidados. Eram espaços muito frequentados.
 A vida dependia dessas fontes. Também eram lugares de encontros (Gn 29:2-10), de conflitos (Ex 2:16-19; Gn 26:19-22), de reconciliação ( Gn 21:25) e de início de relações amorosas  (Ex 2:20). Segundo os arqueólogos, a fonte perto de Sicar foi usada por cerca de 1500 anos, isto é, do ano 1000 a. C. até ao ano 500 d. C.
Em João 4, temos um ensinamento sobre missões, sobre o papel da igreja.
Neste capitulo, o Mestre chega a uma cidade samaritana, meio dia, cansado, suado e com fome e senta-se próximo ao poço.  E Jesus pede um pouco d’água para uma mulher e ela se assusta. Por quê??
Bom, a situação social de Israel nos tempos de Cristo obedecia a seguinte ordem: Clero,Israelitas de origem pura, Pessoas desprezíveis(escravos, judeus, israelitas ilegítimos, escravos pagãos) e finalmente os samaritanos.
Portanto, ali estava uma mulher samaritana, duas vezes inferior: mulher e samaritana.  O espanto dela ocorre porque Jesus rompeu diversos preconceitos, quebrou muitas barreiras. Renunciou a si mesmo; foi supra-cultural, supra-racial.


Prática/Aplicação
Jesus e a mulher samaritana tiveram um diálogo bem estranho.
Ele falando do céu e ela presa nas coisas terrenas; ele falando de Deus e ela de Jacó; ele falando de coisas sobrenaturais e ela com indagações mundanas e superficiais. Jesus dizendo que adorador não depende do lugar e ela preocupada em qual monte deveria adorar.
Jesus gastou seu tempo com uma mulher e conquistou depois uma cidade.
Jesus tinha uma profunda visão missionária e que chegara o tempo da colheita.
Qual é minha comida? Quais sãos os preconceitos que preciso quebrar e abandonar? Quais são as minhas prioridades?
Nós queremos conquistar a cidade, mas estamos prontos para falar com a samaritana? Eu quero enxergar os excluídos?
Quem ao meu redor representa a mulher samaritana, pessoas de classes inferiores, preocupadas com o mínimo para sobreviver e lutando para ser feliz, querendo adorar e buscando montes terrenos?
O que temos feito, Jesus faria e aprovaria? O que Jesus fez, estamos fazendo?
Somos realmente cristãos, discípulos que executam a missão?
A igreja existe por causa da missão e não o contrário. Mas, por que investimos mais em estrutura do que em missões?

Oração
Deus, obrigado por mais este dia, obrigado pela esposa e filhos maravilhosos.
Perdoa-me, se negligencio o meu tempo.  Ensina-me a priorizar o que é importante. Capacita-me para sempre valorizar as pessoas, enxergá-las, ir até elas e levar a verdadeira comida.



sexta-feira, 5 de julho de 2013

VENTO SELVAGEM.

DEVOCIONAL – 06/07/13

Texto:  Jo.3:8 “O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito".

Observações:
 Ao lermos João 3, encontramos o diálogo de Jesus com Nicodemos. Nicodemos, um dos grandes fariseus, membro do Sinédrio, que procurou Jesus à noite, tentando compreender Deus e através da lógica da causa e efeito aceitar que Cristo é o Unigênito de DEUS.  E olha que Nicodemos chegou respeitosamente à presença de Jesus e chamou-o de Mestre. Por ser Deus, Jesus leu o coração de Nicodemos e respondeu a pergunta que ele não fez em voz alta: Será que o que tenho feito me torna uma pessoa salva e parte deste reino que o senhor está anunciando?
Jesus fez uma declaração chocante para Nicodemos: “Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo”.
 O Reino é um estado de relacionamento no qual o súdito resolve colocar-se sob o domínio do Rei. Alguém está no Reino quando se submete ao senhorio de Deus. Isto quer dizer obediência, adotar os mesmos valores, descobrir a cada dia a vontade dEle. O Reino não pode ser confundido com a igreja. O Reino está ligado ao aspecto interior, de adoção das leis do Rei, e de submissão a essas leis.
 A necessidade de nascer de novo confundiu a cabeça de Nicodemos. Era como se Jesus tivesse dito: o que você fez até hoje não o colocou no Reino, ou seja, ser religioso não garante sua entrada no Reino.
Nascer de novo é entender que nossos próprios méritos não nos levam ao Reino, mas que somente através de Jesus temos acesso a Deus, ou ao Reino, ou ao céu.

Prática/Aplicação
Você consegue ver o vento? 
Eu não consigo, porque o vento é invisível. Mas nós conseguimos ver as coisas que ele faz como: As árvores se movimentando, as folhas voando pelo chão, a pipa voando, e o nosso cabelo balançando. O vento sopra onde quer, nós não podemos controlá-lo, ninguém sabe de onde vem ou para onde vai. E desta forma não podemos conter e muito menos prender DEUS em uma caixinha. Uma Vez ouvi de um amigo, a seguinte frase “DEUS É SELVAGEM”, E TENHO QUE CONCORDAR, ELE NÃO pode ser manipulado e não age do meu jeitinho. Ele é Deus, eu sou só mais um (Individualmente amado e eleito). Nascemos para crescer, para virar gente, para nos tornarmos humanos. Aí, você poderia perguntar: “mas eu já não sou humano? E também o resto da humanidade já não é humana?”
O Pecado nos torna desumanos, nascer em CRISTO e obedecê-lO nos aproxima da humanidade de DEUS. Jesus foi o único homem absolutamente homem que a História conheceu. O novo nascimento é algo causado por Deus e não pelo homem. Eu preciso depender, crer e viver por Ele e para Ele.

Oração
Deus, obrigado por mais este dia, obrigado pela esposa e filhos maravilhosos.
Perdoa-me, se negligencio o meu tempo.  Perdoa-me quando faço concessões que vão contra o teu Evangelho. Perdoa-me quando desejo controlá-lo, domesticá-lo. Ensina-me a ser interdependente de ti de uma forma totalmente dependente!
 Tira de mim todo medo de depender!!!
Livra a minha família de todo Mal.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

QUEM POUPA O LOBO NÃO PERTENCE AO CORDEIRO


DEVOCIONAL – 05/07/13

 
Texto:  Jo.2:15-17

Observações:  Como vimos no capitulo 1, o Evangelho de João é diferente dos outros. Ele não tem preocupações cronológicas. Pois até a genealogia dele é metafísica, ” No princípio era o Verbo. O Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele e sem Ele nada do que foi feito, se fez.” 
Portanto, João não remete o Messias apenas para o mundo da ação e dos acontecimentos, como Marcos; nem para Abraão, como Mateus; não remete o Messias para Adão(Salvação tanto para os judeus como os gentios), como Lucas; ele aponta direto no foco. Ele é o Logus de Deus. É o Verbo Encarnado que apareceu entre nós, cheio de Graça e de Verdade. Ele é o cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo. Ele é o Salvador, o unigênito do Pai. 

Mas, eu desejo ressaltar algo que geralmente passa batido. Geralmente, o milagre nos chama atenção, e milagres são importantes, fortalecem a fé. Após o milagre, ele parte e ao chegar ao templo, olha todas as coisas em volta e viu o comércio da fé, que estava sendo feito ali. E se levanta contra isso, expulsou os cambistas, os vendilhões, e todos aqueles que eram os comerciantes da fé, que estavam sendo beneficiados com pseudo-sacrifício e barganha entre o homem e Deus.  Não havia imagens, mas tinha comércio, manipulação, idolatria ao dinheiro, exploração dos pequenos.Ele construiu um azorrague, e usou contra aqueles que ali estavam negociando com as coisas de Deus, na casa de Deus, e explorando o sagrado. Hoje, com certeza diriam NÃO TOQUEIS NOS UNGIDÕES DO SENHOR. Ele tocou. Desceu a lenha e não pecou.

Prática/Aplicação

Eu tenho zelado pelo Evangelho do DEUS encarnado?

Tenho sido complacente demais com os vendilhões da Fé?

Tenho protegido a minha classe?

Não posso negociar o Evangelho, aceitar sincretismos. Tenho que apontar os erros e citar nomes para proteger os pequeninos. A Graça de Deus é de Graça, mas não é barata. Foi pago um alto preço, preço de sangue.

Oração

Deus, obrigado por mais este dia, obrigado pela esposa e filhos maravilhosos.

Perdoa-me, se negligencio o meu tempo.  Perdoa-me quando faço concessões que vão contra o teu Evangelho. Perdoa-me quando sou político e finjo que não estou vendo que o seu Evangelho e a sua causa está sendo atacada.

 Tira de mim todo medo!!!

Livra-me e a minha família de todo Mal.

 

 

 

 

sábado, 16 de março de 2013

PALAVRÃO!!!??? PODE??!!




Por Leonardo Bruno Galdino



Pegando carona num excelente texto escrito pela Norma Braga há uns quatro anos (leitura mais que obrigatória!), vou arriscar aqui mais algumas palavrinhas sobre os palavrões.

"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para a edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem." Efésios 4.29.

Deveria ser justamente o oposto, mas não é raro ver cristãos simpáticos à ideia de que é perfeitamente válido ao crente falar palavrão, sob a desculpa de que “extravasar faz bem para o corpo e para a alma”, dentre outras coisas. Afinal de contas, “ninguém é de ferro”. De fato, ninguém o é. Mas escusar-se nisso é deveras pecaminoso, visto que o padrão maior, que é Deus, não é contemplado. E é muito triste observar que essa mentalidade é bastante comum em nosso meio. Outro problema é que nem sempre o palavrão é oriundo de um pico de fúria, mas inclusive das conversas amistosas, nas quais um palavrãozinho acaba se tornando “imprescindível” para que o papo fiquem ainda mais “interessante” – o que acaba sendo ainda pior em se tratando de uma rodinha de crentes.

É bem verdade que Paulo fez essa associação entre palavra torpe (“palavrão”) e explosões de raiva, no versículo 26 (não vou discorrer sobre tal verso aqui, visto que já tratei dele em outro post), mas, como já disse, esta não é a única associação possível. E aqui chamo a nossa atenção para a perspicaz observação da Norma Braga: “todos os palavrões, dos menores aos maiores, têm algo em comum: remetem invariavelmente ao sexo”. (Particularmente, não conheço nenhum palavrão que fuja a essa regra). Mas será que é este o sentido empregado por Paulo na referida passagem? Teria ela conexões com aquilo que hoje entendemos por palavrão? Existia palavrão no século I?

No grego, a palavra traduzida por torpe é sapros, que significa, literalmente, podre, sem proveito, e foi usada apenas por Jesus e Paulo. Cristo a usou como metáfora para a “árvore ”, a qual produz somente frutos maus (Mt 7.17ss; 12.33; Lc 6.43), e para os peixes “ruins” que são deitados fora do cesto (Mt 13.43). É evidente que o uso que Jesus fez dela não tem conexões diretas com a questão da sexualidade, visto que em suas falas Ele nunca se preocupou em dar esse tipo de especificação. Contudo, Jesus era bem específico numa coisa: em apontar o coração como a fonte de tudo aquilo que arruina o homem, incluindo os pecados sexuais (Mc 7.18-23). Assim sendo, o sentido esposado por Paulo se sustém, pois não há boca que sobreviva com uma dieta a base de palavras podres.

Na realidade, o entendimento de que Paulo, aqui, se refere à linguagem libidinosa pervertida não é novo. Por exemplo, Calvino, comentando a passagem em foco observou que esse termo usado pelo apóstolo se refere a “tudo aquilo que provoca excitamento erótico que costuma infeccionar a mente humana com a luxúria– o que para nós é um sinal de que nos tempos do reformador os palavrões também estavam ligados ao sexo (ou, à deturpação deste). Alguém poderia argumentar que Calvino, aqui, escreveu pensando em sua própria época, e não na de Paulo. A estes respondo com textos como Romanos 1.26-27, 1 Coríntios 5 e 6.12-20, onde o apóstolo nos dá alguns detalhes do que era a imoralidade sexual de seu tempo, o que me leva a crer que a época em que ele viveu não era menos podre de linguagem do que o século XVI ou o século XXI. No entendimento do reformador, Paulo não está falando apenas de palavras vazias e bobas, mas de palavras podres e carregadas de imagens sexuais. Obviamente, são muitas as palavras e coisas que nos provocam esse tipo de excitamento apontado por Calvino, e é razoável aceitarmos que elas são alvo de Paulo nesse texto. Mas não nos enganemos, pois até mesmo palavras “inocentes” podem assumir a forma de um palavrão, pois o pecado, como já vimos, não começa na boca, e sim no coração. Por esse motivo é que devemos extirpar de nossas disposições mentais tudo aquilo que porventura nos remeta a tais pensamentos (cf. Fp 4.8-9), fugindo, assim, de toda a aparência do mal (1 Ts 5.22).

Em resumo, considerando a admoestação do apóstolo, deveríamos fazer os seguintes questionamentos acerca do palavrão, caso ainda queiramos considerar a sua legitimidade:

- ele verdadeiramente promove a edificação (pessoal e coletiva)?
- ele verdadeiramente transmite graça aos que o ouvem?

Particularmente, penso que palavras podres e imorais jamais promoverão a edificação pessoal ou coletiva, visto que são fruto de uma árvore mau desde a sua raiz. De um coração tomado de pensamentos impuros não pode sair coisa boa. As obras da carne nada podem edificar senão a própria carne (cf. Gl 5.16-21). Por este motivo, tais palavras são incapazes de transmitir graça às pessoas que nos rodeiam. Em vez de graça, transmitem desgraça: mau testemunho, incitação à violência, ao sexo pervertido e por aí vai. É por esse motivo que Paulo diz para não darmos lugar ao diabo (Ef 4.27), o verdadeiro pai de toda podridão. Estejamos, pois, alertas, antes que o Senhor nos lave a boca com algo muito pior do que o sabão com que nossos pais nos ameaçavam.

Soli Deo Gloria!


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

É PRA JULGAR SIM!!


     Me admira em pleno século XXI ainda haver dúvidas com relação a questão do juízo. São milhões de pessoas repetindo a ladainha que tem aparência de verdade, mas está destituída de coerência por desprezar o contexto do ensino dado pelo Senhor Jesus.


“Examinai tudo. Retende o que for bom.” (1 Tessalonicenses 5:21)

Quando o próprio Cristo disse que não devemos julgar para que não sejamos julgados, Ele não estava proibindo ou sequer censurando o julgamento. Muito pelo contrário! Como saberemos discernir entre o que é justo e injusto, senão comparando? Como poderemos perceber o quanto somos inaptos para o Reino de Deus, senão medindo a nós mesmos com o padrão que Jesus revelou? A verdade é que o julgamento que foi desaconselhado é o TEMERÁRIO, ou seja, sem conhecimento de causa.

Um povo que se abstém de julgar todas as coisas, peca por omissão.

“Não sabeis vós que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deve ser julgado por vós, sois porventura indignos de julgar as coisas mínimas? Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?” (1 Coríntios 6:2-3)

O apelo bíblico a todo aquele que profere julgamento é a misericórdia. Isto significa que precisamos nos colocar no lugar das pessoas. Isto evita constrangimentos e julgamentos precipitados. Quanto a apontar o equívoco daquele que se diz irmão, mas na verdade só está tentando se aproveitar das pessoas, com este não devemos sequer sentarmos à mesa para comer.

“Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais.” (1 Coríntios 5:11)

E é exatamente isto que temos visto. Muita gente batendo no peito pra se afirmar como pastor, mas ao invés de dar a vida pelas ovelhas, está lucrando horrores com a lã. Se esquecem que o verdadeiro pastor é Cristo, e que nós somos apenas seus auxiliares.

Glória a Deus! O Senhor que não a divide com ninguém!

 
Por Ariovaldo Jr

 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

As maçãs do Éden




 

 

O ser humano é dogmático. Em qualquer esfera, gostamos de dogmas e verdades estabelecidas. Isto nos traz segurança e conforto. Na TV sempre aparece algum artista ou celebridade comentando sobre a vida pública. E para senso comum, pessoas que estão dispostas a ter vida pública não podem se queixar de perder a privacidade por causa da fama. Será? Na mídia existe o mito que de que quando alguém se expõe tem que se sujeitar passivamente a reação das pessoas. Sério? Quem estabeleceu estas verdades?
 
Desmaterialização da arte:
Os artistas contemporâneos costumam derrubar este tipo de conclusão a golpes de martelo, abrindo espaço para questionamentos. John Cage, criou uma partitura, o trabalho 4’33″, instruindo o músico a ficar em silêncio e imóvel durante o tempo estipulado no título da obra. Em 1967, o norte americano Sol LeWitt publica “Parágrafos sobre Arte conceitual, onde atesta que a idéia é mais importante que a realização do trabalho. Enquanto isso, no Brasil , Helio Oiticica divulga no Museu de arte Moderna do Rio de Janeiro, um texto onde começa a surgir a noção de uma “arte desmaterializada”, onde o público, é o motor da obra e assume com sua negação à passividade uma posição crítica na dimensão ética e política. Falando a grosso modo: é o público que define o que será a obra de arte: uma partitura, uma obra de arte visual, um texto poético, ou outra proposta.
No mundinho gospel prevalece a mentalidade dogmática. Somos criados com ela e nos moldamos a ela. Somos ensinados a reafirmar dogmas. Não, as igrejas não ensinam a pensar, e embora o Criador nos tenha dado uma máquina de raciocinar fantástica, não há encorajamento para aqueles que se atrevem a levantar questionamentos. Elas funcionam em sua grande maioria como curso de memorização, de modo que você consegue encontrar vários cristãos que conseguem decorar enormes textos bíblicos, mas não conseguem aplicar aquelas verdades ao seu dia a dia. Nada contra memorizar textos, pelo contrário, seria lindo um momento de salmos onde os irmãos declamariam e interpretariam os salmos bíblicos e os que tem veia poética mais apurada poderiam criar seus salmos e jorrar palavra poética numa noite inesquecível, uma noite na varanda com amigos, simples, como as reuniões apostólicas da igreja primitiva. Memorizar não é um problema, é uma necessidade, mas é problema quando a palavra está na língua mas não está no coração.

Precisamos de discipuladores que lancem desafios na aula, como Jesus fazia. Jesus criava problemas e deixava os discípulos sem respostas por muito tempo para que tivessem tempo de meditar na palavra. Jesus exercia a função de provocador. O bom pastor alimentava as ovelhas como ninguém, mas não mastigava o alimento para elas.
Evangelho para consumo:
 o Evangelho está á venda. Para vender algo é preciso seduzir e agradar o consumidor, não podemos chocá-lo, provocá-lo, questioná-lo, fazê-lo pensar ou dar-lhe informações novas que o perturbem. Devemos dar-lhe mais do mesmo. O igual, com nova roupagem. O dogma é perfeito para isso, ele não assusta, não muda nada, não altera nada. Gostamos das coisas como são e queremos que tudo termine bem no final, como nas novelas e comédias românticas. Tudo já vem pronto e embalado para consumo. Só nos resta consumir. Tudo precisa ser reduzido aos padrões já estabelecidos, para não abalar nossas crenças e nossa confiança na realidade. Na mentalidade dogmática, verdadeiro e bom é o que não surpreende: é oque já se sabe, oque já se disse, oque já se fez. Mas no lugar de difundir e divulgar o Evangelho ou a cultura cristã, despertando interesse, isto torna o evangelho próprio para consumo, mas não o torna mais conhecido por isto.
Claro, todos temos dogmas de fé. Há uma verdade que é Cristo. Mas a cultura da pedrada e a cultura do escárnio fazem parte do discurso de Jesus? Um dos um dos problemas do cristianismo atual é exatamente achar que há apenas uma doutrina válida, é querer mandar fogo do céu a quem pensa diferente. Temos arminianos, calvinistas, luteranos, reformados, pentecostais, neopentecostais, todos com suas pedras na mão afirmando serem os donos da verdade. Oque me lembra o romance de Umberto Eco, O nome da rosa. No livro, os monges morrem misteriosamente e todos com o mesmo sinal: a língua negra e dois dedos da mão direita cheios de veneno. O monge investigador descobre que as vítimas encontraram uma obra perdida de Aristóteles sobre a comédia e a importância do riso para a vida humana. Descobre também que o monge guardião da biblioteca julgara que o riso era pecado, pois em sua concepção religiosa, o homem estava na terra para pagar o pecado de Adão, portanto, alegria era blasfêmia. E por este motivo, assassinou por envenenamento os copistas que ousaram ler o livro e incendiou a biblioteca. Por esta “verdade”, o monge copista matou seres humanos e destruiu livros, pois para ele, a verdade revelada por Deus é a única que importa.
As maçãs do Éden - Quando observo as igrejas e a forma como passam a informação, me lembro de um episódio ocorrido lá no jardim do Éden, onde um homem ouviu uma revelação de Deus, e transmitiu a mensagem dogmaticamente para outra pessoa. A fim de que ela não se desviasse do conteúdo original da mensagem,acrescentou umas palavrinhas. Mas este excesso de zelo e de dogma não a fez meditar naquela realidade, para que aquele ensino fosse regado pelo Espírito Santo e criasse raízes. Quando veio a serpente, então a serpente a fez pensar. E assim o homem oficializou o dogma, acreditando que fazer pensar é um perigo. Criamos as “maçãs do Éden”. De onde surgiu a “maçã” ninguém sabe, não está no texto, mas também não se pode questionar. Séculos depois, continuamos cultivando maçãs.
Terapia divina: Ignoramos a didática de Jesus, ignoramos que Deus ensinou Jó a questionar, (sem apresentar respostas). Porque aprendemos que o tema central do livro de Jó é “porque o justo sofre?” ao invés de”a importância do questionamento”? Nossa capacidade dogmática se rompe quando começamos a levantar questionamentos, este foi o tratamento de Deus para Jó: sincero, reto e temente a Deus, Jó não conhecia o criador, mas tinha dogmas que seguia à risca. Deus curou Jó de seus dogmas para restaurar sua vida. Assim as pessoas hoje estão vivendo. Acreditam que é pecado questionar a Deus, ou as instituições e pessoas que “falam em nome de Deus”. Mas por não aprenderem a questionar também não aprendem a questionar os rudimentos e sofismas deste mundo e caem na conversa da serpente geração após geração.
Enquanto isso, o Todo-Poderoso continua dizendo: “Vinde e arrazoemos”.
Que Deus quebre nossos dogmas e fortaleça nossa fé.
,
Lya Alves.
 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Quatro razões básicas para a rejeição da doutrina da perda da salvação

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O ensino bíblico que afirma que o crente não perde a salvação é chamado tecnicamente de doutrina da perseverança dos santos. Trata-se de um dos temas principais defendidos pelo Calvinismo. Essa doutrina teve como maior oponente dentro do Protestantismo o sistema idealizado pelo teólogo holandês Jacó Armínio (1560-1609). Entre outras coisas, o Arminianismo nega a fórmula “uma vez salvo, salvo para sempre”. Ainda que esse modelo tenha sido condenado pelo Sínodo de Dort (1618-1619), muitas igrejas evangélicas modernas o adotam, sendo possível encontrar seus expoentes entre batistas, assembleianos (principalmente) e presbiterianos (surpreendentemente).

Há pelo menos quatro razões básicas para rejeitar a doutrina da perda da salvação:

1. A salvação abrange uma seqüência de ações de Deus que começa na eternidade passada e se conclui com a glorificação perene no futuro (Rm 8.29-30)

Considerando a soberania e o poder de Deus, essa seqüência não pode ser frustrada ou interrompida. De fato, na referência acima vê-se que a corrente da salvação mostra seu elo inicial quando Deus conhece de antemão e predestina aqueles a quem decide alcançar. Em seguida, ele chama e justifica essas pessoas, glorificando-as finalmente. Evidentemente, não há como quebrar esse processo, estando a salvação garantida, inclusive, pelo selo do Espírito

(Ef 1.13-14). Ademais, é absurdo conceber o Deus da Bíblia como um ser incapaz, que predestina alguém para salvar, chama-o e o justifica, mas no fim não consegue glorificá-lo.

2. A salvação implica “novo nascimento”

Jesus ensinou que o homem salvo é aquele que nasceu de novo pela fé nele, podendo agora ver o Reino celeste (Jo 3.3). Sabe-se também que quem nasce de novo se torna filho de Deus (Jo 1.12-13; 1Jo 5.1). Evidentemente, para perder essas bênçãos, o crente teria que “desnascer”. E mais: se quisesse recuperá-las teria de nascer de novo de novo. Ora, essas possibilidades não existem nas Escrituras. Nascer de novo ou ser regenerado, tornando-se filho de Deus, é experiência única e, infalivelmente, resulta na salvação do crente (Gl 3.26-29).

3. A salvação não pode ser atribuída a pessoas que professaram temporariamente a fé

Várias passagens bíblicas falam de pessoas que, participando da comunhão dos crentes, testemunharam e até experimentaram bênçãos maravilhosas, caindo, em seguida, na apostasia (Hb 6.4-6). Não é correto, porém, dizer que essas pessoas perderam a salvação. Na verdade, elas nunca foram salvas (1Jo 2.19). Isso é evidente porque aprendemos na Parábola do Semeador que a prova da fé salvadora é a perseverança (Mt 13.1-23). Quem não persevera nunca foi de fato salvo (1Ts 5.23-24; Hb 10.39; 1Pe 5.10; 1Jo 5.4-5).

4. A salvação não pode ser anulada pelo pecado individual do crente

Em 1Coríntios 5.1-5, Paulo fala de um crente que tinha envolvimento sexual com a mulher do próprio pai. Era um pecado tão grave que ele diz não ser comum nem mesmo entre os pagãos (v.1), devendo esse homem ser “entregue a Satanás” (v. 5), o que significa ser expulso da igreja (v.13). Isso, porém, não fez com que ele perdesse a salvação. Na verdade, Paulo diz que a disciplina poderia trazer a destruição do corpo, mas que o espírito daquele homem seria salvo (v.5). Ademais, em 1João 2.1, aprendemos que se algum crente pecar, isso não gera sua condenação eterna, mas sim sua defesa, feita por um “Advogado junto ao Pai: Jesus Cristo, o justo”.

Essas são apenas algumas razões pelas quais devemos rejeitar a doutrina da perda da salvação. Outros textos que falam da segurança do crente são João 10.28-29; Romanos 8.33-34; 1Coríntios 3.15 e Hebreus 7.25.


Pr. Marcos Granconato

Fonte: Igreja Redenção
Via: Teologia & Apologética