quarta-feira, 12 de setembro de 2012

POR QUE VOCÊ NÃO PODE MUDAR SUA IGREJA (1/4)

Sabemos que muitos dos leitores do VE foram despertados para o Evangelho, mas se encontram em igrejas onde o mesmo não aconteceu. Então surge a dúvida: sair ou lutar por uma reforma? Esta série de postagens de Bobby Jamieson, do ministério 9 Marcas, traz certa sobriedade ao assunto. Antes de você tomar alguma decisão, sugiro que você espere as quatro postagens e esteja em oração.


Parece que pelo menos uma vez por mês eu recebo um email de um membro de igreja — não um pastor — perguntando como ele pode mudar sua igreja. Não “mudar” no sentido de imprimir os boletins em um papel diferente, mas no sentido de reformular a estrutura de liderança da igreja e as práticas de membresia. Deve essa pessoa dar ao pastor alguns livros? Convocar uma reunião? Começar um grupo de estudo?
Se você está nesta situação, o que você pode fazer? Como você pode mudar sua igreja quando você não é o pastor?
A resposta curta é: você não pode. Se você não é o pastor, você não pode mudar sua igreja. De verdade. É sério. Sem retratação de surpresa esperando de sobreaviso.
Agora, eu sou congregacional, então é claro que eu creio que a igreja pode — e deve — demitir seu pastor se ele começa a ir aonde a Bíblia não vai. O pastor não tem a autoridade final; a congregação como um todo tem.
Mas à parte dessas vezes excepcionais, se você não é a pessoa que está formalmente encarregada de pregar a Palavra e liderar a igreja, então você não pode mudar sua igreja de nenhuma maneira fundamental. Isso se aplica quase de maneira igual a um pastor que não é o pregador primário da igreja. (Estou me referindo primariamente a “o pastor” uma vez que a maioria das igrejas possui apenas um.)

Por que você não pode mudar sua igreja — ou seu pastor

Por que você não pode mudar sua igreja se você não é o pastor? Eis aqui quatro razões.

1. A Palavra Causa Mudança

A Palavra de Deus é o que vivifica, concede poder, ilumina, e transforma o povo de Deus. A Palavra de Deus é o que causa mudança na igreja. Isso se aplica tanto para práticas de adoração e estrutura de liderança quanto para santidade pessoal.
Portanto, a pregação que toda a igreja ouve semanalmente é a força mais importante moldando a igreja. O púlpito é a fonte de mudança. Se você não é responsável pelo púlpito, você simplesmente não pode conduzir uma mudança que afetará toda a igreja.

2. Influência, Ofício, e o Ministério da Palavra

Deus ordenou que as igrejas se submetam — confiem, sigam — seus presbíteros (Hebreus 13:17; 1 Pedro 5:5). Através de seu ensinamento e caráter piedoso, os presbíteros devem servir de exemplo ao rebanho (1 Pedro 5:3). Sua fiel exposição bíblica e suas vidas piedosas e transparentes devem multiplicar sua influência e autoridade na igreja.
Em outras palavras, quando o Espírito Santo nomeia presbíteros em uma igreja (Atos 20:28), é como se ele os colocasse em um palco diante da igreja, acendesse um refletor sobre eles, e dissesse: “Sigam estes homens!”. Então, se você não é um desses homens, por que a igreja seguiria você?
Mais do que isso, se você está tentando conduzir a igreja em uma direção diferente do que seus líderes nomeados querem levá-la, por que a igreja deveria confiar em você ao invés de seus próprios presbíteros? Neste caso você está trabalhando em oposição à natureza de como Deus deseja que a igreja seja guiada. Você está se intrometendo na maneira que Deus estabeleceu para direcionar seu povo.
Esse tipo de reforma intrometida é de alguma maneira justificável? Claro. Mas não se apresse ao invocar Lutero.
Ao invés disso, reconheça como Deus uniu o ofício de presbítero (pastor), o ministério da Palavra, e a influência pastoral. Se você está tentando liderar uma igreja a uma direção que seus próprios presbíteros não querem ir, isso provavelmente não é reforma, mas desejo de divisão.

3. Você Não Pode Ensinar a um Velho Pastor Novos Truques

Terceiro, você não pode ensinar a um velho pastor novos truques.
É claro que um homem piedoso e humilde continuará a crescer e aprender. E de vez em quando, um pastor experiente passará por uma transformação filosófica. Mas a visão da maioria dos pastores em sobre assuntos como pregação, liderança e estrutura eclesiástica não estão disponíveis para qualquer um questionar. E se a posição do pastor não vai mudar, a igreja não vai mudar.
Isso é frequentemente uma função dos limites da imaginação pastoral. Se um pastor batista ouviu apenas presbiterianos chamarem os líderes eclesiásticos de “presbíteros”, você provavelmente não conseguirá convencê-lo de que isso é bíblico. Ele simplesmente não pode imaginar que isto está certo. E se um pastor nunca foi parte de uma igreja que levava membresia a sério, então “limpar o rol” parecerá tão sábio quanto golpear um vespeiro — só dor, nenhum ganho. Ele não consegue visualizar o objetivo no lado oposto da bagunça, e então ele não é compelido a dirigir através da bagunça para chegar lá.
Muitos pastores lideram o ministério da única maneira que eles conhecem. É a única maneira que eles foram treinados, a única maneira que eles viram modelada, a única maneira que eles confiam. Então, em geral, você não pode mudar seu pastor.

4. Absalão ao Portão

Por último, vamos dizer que após desistir de tentar mudar o pastor, você ainda tente mudar sua igreja a partir de seu lugar no banco. Qual será a colheita?
Eu diria que o que quer que você faça irá quase inevitavelmente ter um efeito duplo: em alguma medida você irá enfraquecer os líderes e dividir a igreja.
Vamos dizer que você seja muito amado na igreja e é, informalmente, um líder influente. Se as pessoas começam a unirem-se a você e suas ideias, isso irá debilitar a confiança, a afeição e a lealdade ao(s) pastor(es) delas. Você será Absalão ao portão, ganhando os corações do povo e afastando-os de seu pai Davi. Independentemente dos méritos supostamente justos de sua causa, você estará enfraquecendo o(s) homem(ns) que o Espírito Santo nomeou para pastorear o corpo.
E você irá dividir a igreja. Uma vez que concordar com você é discordar do pastor, você não deixará outra escolha para as pessoas senão dividirem-se em duas facções. Ao invés de reformar a igreja, você estará encubando uma divisão de igreja.

Exceções? Próximos passos? Próximos três artigos

Existem exceções a isto? É claro que há, apesar da maioria fazer parte da regra.
E se você é um membro de uma igreja que precisa urgentemente de reforma, há alguma coisa que você possa fazer para ajudá-la a andar na direção certa, mesmo não sendo pastor? É claro que há. Eu estou dizendo que você não pode virar o barco 180 graus. Não estou dizendo que você não pode trabalhar por uma mudança menor e gradativa ou tentar gentilmente influenciar seu pastor.
Eu abordarei estes pontos, se for da vontade do Senhor, em mais três artigos nas semanas seguintes.
Por agora, apenas abaixe a arma de reforma eclesiástica, afaste-se lentamente, e ninguém se machuca. E então vá agradecer a Deus por sua igreja, ainda que ela precise de reforma, assim como eu e você precisamos.

Por Bobby Jamieson. Copyright © 2012 9Marks. Webiste: 9marks.org. Original: Why You Can’t Change Your Church (Part 1 of 4).

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Calvin, Haroldo e a graça barata

por Eric Rauch


Quando nosso filho mais velho completou oito anos, eu comecei a tentar gastar mais tempo ensinando, lendo, e pensando com ele sozinho, separado das outras crianças. Como eu não nasci em um lar cristão, frequentemente encontro dificuldade em ser o cabeça espiritual – isso não vem fácil, parece estranho e forçado às vezes. No entanto, em outras vezes, uma verdade espiritual cai sobre o meu colo e eu e meu filho somos imensamente abençoados por ela. Uma ocasião rara como essa aconteceu algumas noites atrás…
Como me mudei há pouco tempo, muitos dos meus livros continuam espalhados pela casa em vários lugares – em caixas, em armários, em pilhas de alturas precárias – para o grande desgosto da minha paciente esposa. Num desses lugares supracitados, meu filho encontrou algumas das minhas antigas coleções de Calvin e Haroldo e começou a lê-las. Já que esses clássicos atemporais são algo que todos os jovens deveriam ler, eu não tive objeções. Enquanto estávamos conversando algumas noites depois, eu estava tentando mostrar ao meu filho a diferença entre misericórdia e graça. “Misericórdia”, eu enfatizei, “é não receber o que merecemos, e graça é receber o que não merecemos” (olhares em branco de uma criança de oito anos). Então, tentei uma tática diferente: “A misericórdia de Deus é o que nos livra da punição pelo nosso pecado, mas Sua graça foi o que levou Jesus à cruz para sofrer a punição no nosso lugar” (algumas luzes começando a aparecer no cérebro de uma criança de oito anos). A parte da misericórdia pareceu dar um clique na cabeça dele e o fez relembrar de uma tirinha de Calvin e Haroldo que ele tinha lido mais cedo naquele dia. Quando ele me trouxe o livro que continha a tirinha, eu me sentei maravilhado com a simples e direta lição perante mim.[1]

Em poucas palavras, esse é o cenário: é concedido a Calvin o grande privilégio de poder usar os binóculos de seu pai, que lhe disse para ser extremamente cuidadoso. Com certeza, ele o quebrou e estava agoniado o dia todo, se sentindo péssimo e pensando em quanto o pai dele o puniria. Em uma atitude de misericórdia sem precedentes, o pai perdoou Calvin (sem punição) e, na verdade, comprou para Calvin binóculos somente para ele (graça). Essa simples tirinha deu ao meu filho uma ilustração do que eu estava falando, e o ajudou a entender mais profundamente a misericórdia de Deus e a Sua graça por meio de Seu filho. Isso também me mostrou como eu frequentemente tendo a explicar a Bíblia de maneira muito engenhosa para os meus filhos. Na maioria das vezes, eu sobrecarrego meus filhos com muita informação, ao invés de me contentar em explicar um ou dois pontos. Esquecendo de que o próprio Jesus ensinou adultos por meio de parábolas, tento ensinar minhas crianças lições de 10 pontos em teologia e acabo frustrando todos, eles e eu. Como se já não fosse o bastante, Calvin e Haroldo tinham mais uma coisa para mostrar a mim e a meu filho.
No último quadrinho da tirinha, depois de Calvin ser alvo da graça de seu pai, sua mente pecaminosa imediatamente imaginou uma forma de tirar total vantagem da situação. Em Romanos 5:20, Paulo escreve: “onde abundou o pecado, superabundou a graça”. Calvin, certamente, entendeu isto: se quebrando os binóculos do papai eu ganhei os meus próprios, então devo quebrar algumas das ferramentas elétricas do papai também! Mas Paulo continua sua linha de raciocínio em Romanos 6:1-2 “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?”. A instantânea amnésia de Calvin a respeito de seu pecado e a atitude desdenhosa para com a graça de seu pai não é algo novo. Eram coisas prevalentes na igreja primitiva – por isso as palavras de Paulo em Romanos 5 e 6 – e continuam sendo problemas nos nossos dias. John MacArthur escreve:
O evangelho em voga hoje oferece uma falsa esperança para os pecadores. Promete a eles a possibilidade de ter vida eterna e continuar vivendo em rebelião contra Deus. De fato, ele encoraja as pessoas a clamarem a Jesus como seu Salvador e adiar o compromisso de obedecê-Lo como Senhor. Promete salvação do inferno, mas não necessariamente liberdade da iniquidade. Oferece uma segurança falsa para pessoas que se divertem nos pecados da carne e desprezam o caminho da santidade. Ao separar fé de lealdade, ele ensina que a aceitação intelectual é tão válida quanto a obediência de todo coração à verdade… Romanos 6 é a refutação de Paulo ao antinomianismo[2]. Ele argumenta que nossa união com Cristo garante que não seremos mais escravos do pecado… Aqueles que argumentam contra a salvação de senhorio geralmente embasam sua teologia na suposição equivocada de que a obra de Deus na salvação termina na justificação. O restante, muitos acreditam, é puramente o esforço do próprio crente. Santificação, obediência, renúncia, e todos os aspectos do discipulado são deixados para os crentes escolherem fazê-los ou não.[3]
Assim como a “graça barata” de Calvin fez com que ele procurasse por outras formas de ganhar do sistema, nossas igrejas estão lotadas de homens e mulheres que estão abandonando o futuro da igreja em troca de uma rápida dose de graça temporária. Discipulado é uma prática que não existe em nossas igrejas americanas. Me contaram certa vez em uma igreja em que estive que eles tinham “tentado fazer um programa de discipulado alguns anos atrás, mas era muito difícil para continuar com ele”. Se esse não é um comentário triste, então eu não sei o que é. A atual obsessão com o tamanho da igreja e seu crescimento é sem sentido se não estivermos discipulando os membros que nós temos. Nossos velhos e “endurecidos” membros precisam condenar esse espírito de antinomianismo de nossa era e ajudar na santificação dos homens e mulheres jovens de nossas congregações:
“Quanto aos homens idosos, que sejam temperantes, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor e na constância. Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada. Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos. Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito.” (Tito 2.2-8)
Nós estamos testemunhando uma época interessante na história da igreja. As pessoas estão começando a levar a Bíblia a sério novamente. O ensino em casa está se tornando mais popular a cada ano. Escolas cristãs estão ficando cheias. As famílias estão tendo mais filhos. Mas tudo isso pode ser em vão se nossos homens e mulheres mais velhos não aconselharem e treinarem nossos homens e mulheres mais jovens na sã doutrina. Não é só porque seus filhos estão crescidos que você está fora do jogo. Ache uma mãe ou um pai jovem em sua congregação e ajude-a[o] a crescer em graça. Não provoque a graça de Deus esperando por ferramentas elétricas, saia e use seus binóculos (mas não para ir à praia olhar para as garotas).

Notas:
[1] Bill Watterson, Weirdos From Another Planet! (Kansas City: Andrews and McMeel, 1990), 46.
[2] Antinomianismo: corrente teológica que nega ou diminui a importância da lei de Deus na vida do crente.
[3] John MacArthur, The Gospel According to Jesus (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1994), xxi, 201–202.

Traduzido por Fernanda Vilela | iPródigo.com




terça-feira, 14 de agosto de 2012

CONTABILIDADE DE ALMAS


Zilton Alencar


Hoje eu acordei lembrando do filme Titanic, que assisti há bastante tempo! Superprodução ganhadora de muitos Oscars, sem dúvida foi um dos mais bem produzidos filmes de Hollywood. Em dado instante, veio-me à lembrança a cena onde o capitão recebe a informação de que o navio está afundando, sem condições de se deter a tragédia. Preocupado e desorientado, ele pergunta ao imediato quantas pessoas estão a bordo. Recebe imediatamente a resposta: “Duas mil duzentas e tantas almas, senhor!”.

Hoje também é costume se contar almas. Isto é muito feito no interior das igrejas, onde a quantidade de discípulos atraídos é sinal de status e a prova definitiva de que Deus está operando naquele lugar, aprovando o que lá acontece. Quando há qualquer questionamento doutrinário ou comportamental, alguém logo sai em defesa de seu “ungido” e pergunta quantas almas o questionador já ganhou; caso ele já tenha ganho algumas ou muitas, vamos comparar as quantidades para ver quem tem mais poder, mais autoridade, mais credibilidade, mais unção...

Eu não me preocupo com quantidade de almas ganhas, porque a parábola do servo inútil parece ter sido contada pelo Senhor Jesus exatamente para ilustrar esta situação (Lc 17:7-10). Não importa quantas almas eu já ganhei ou quantas vou ainda ganhar pois almas não podem e nem devem ser computadas em estatísticas de poder ou credibilidade. Mesmo ganhas aos milhares, o objetivo de ganhar almas jamais poderá ser para o engrandecimento do pregador, e sim do Reino. Pregar o Evangelho é nossa obrigação; ganhar almas é tarefa não nossa, mas do Espírito Santo. Assim, quando eu "ganho uma alma para Jesus" nada mais fiz que simplesmente pregar o Evangelho. Coube ao Espírito Santo convencer o ouvinte e conduzi-lo a Cristo. Fui apenas um "moleque de recados". A obra foi TOTALMENTE feita por Deus, o plano de salvação, a vinda do Salvador, Sua morte expiatória e Sua ressurreição. A mensagem do Evangelho não é minha, nem da minha igreja, nem do meu ministério. As almas, finalmente, não são ganhas para a nossa glória, mas para a glória de Deus!

Além disto, há pessoas que não as ganham, mas ajudam almas ganhas por terceiros a crescer (1 Co 3:1-9). Paulo não vê diferença entre um e outro. Outras, ganham almas e nem tomam conhecimento disto. Tenho um amigo que é exemplo disto. Ele é pastor e trabalha secularmente em ambiente hospitalar. Todos os dias ele tem acesso à UTI e prega o Evangelho os enfermos. Apresenta-lhes rapidamente a Palavra de Deus, mostra-lhes Jesus como o único que pode lhes trazer a salvação após a morte, faz um apelo para que o enfermo O aceite como único salvador e ora por ele. Às vezes ele percebe, por um movimento de lábios ou de olhos, uma tênue resposta; na maioria dos casos nenhum sinal se percebe, principalmente no caso de enfermos inconscientes. Mas ele não desiste. Prega o Evangelho a todos, conscientes ou não! Ele chama seu ministério como “o evangelismo da última hora”. Não sabe quantas almas já ganhou para Cristo. Não as congrega na igreja aonde é pastor. Não se torna um grande pastor, com uma multidão de seguidores após si. Só tomará conhecimento de quantas almas ganhou apenas no Último Dia. E o melhor: não tem do que se gloriar da quantidade de almas que já ganhou. Sabe que não passa de um servo inútil, que está fazendo não mais que a sua obrigação. As almas só lhe serão computadas para efeito de galardão!

Quantidade, no aspecto de “contabilidade de almas”, não significa nada! Não nos compete contá-las para usar seu número para nossa própria glória. Aliás, esta parece ser a grande causa do castigo divino sobre o recenseamento promovido por Davi em Israel (2 Sm 24).Que explicação melhor encontraríamos para tão grande castigo, senão o orgulho de ser rei sobre uma grande multidão?
Uma multidão não referenda um ministério. Muitos seguidores não significam a aprovação divina para o ministério ou para o obreiro! Sinais, milagres e maravilhas nada significam, uma vez que falsas religiões os praticam, e que Jesus foi categórico que muitos que fizeram tais sinais serão rejeitados no juízo (Mt 7:21-23). O uso de almas como contabilidade ministerial só revela a falta de escrúpulos do obreiro, sua tentativa forçada de ser reconhecido e respeitado pelos seus opositores e sua incompreensão ao verdadeiro sentido de ganhar almas para Deus!

Desde os tempos dos apóstolos, vemos pessoas arrastando após si multidões (At 5:35-37), sem contudo isto referendar sua pregação ou ministério. O mesmo acontece nos nossos dias. Religiões pseudocristãs, como o Espiritismo, o Mormonismo, as Testemunhas de Jeová, batem recordes de crescimento a cada ano, e nem por isso têm a aprovação divina, já que distorcem a Palavra de Deus e afastam o homem da plena comunhão com Jesus Cristo. O conselho de Gamaliel (se é de Deus, ninguém vai impedir, e o crescimento é a prova da anuência divina) não referenda estes ministérios.

E nem adianta afirmar-se que faz parte de uma religião evangélica! O objetivo da religião, como o próprio nome afirma, é religar o homem a Deus, e este religamento, à luz da fé cristã genuína, só pode ocorrer quando conduzimos o homem pecador a viver de conformidade com as Escrituras. Quando alguém, mesmo sob o signo do evangelicanismo, ganha uma multidão, mas afasta esta multidão da Palavra de Deus, não está ganhando almas para Jesus, e sim para si mesmo, para sua igreja, para sua denominação! É o caso explícito da parábola do cego guiando outro cego (Lc 6:39-40), quando ambos cairão inexorável e inevitavelmente na cova.

A parábola do guia cego nos dá pelo menos duas grandes lições: “E dizia-lhes uma parábola: Pode porventura o cego guiar o cego? Não cairão ambos na cova? O discípulo não é superior a seu mestre, mas, todo o que for perfeito será como o seu mestre“.

A primeira é que não adianta atrair ninguém para si ou supostamente para Cristo, se não temos condições de guiar os que se achegam à luz da Palavra de Deus e da sã doutrina dos apóstolos. Se Fulano ou Sicrano tem atraído multidões, mas afasta estas multidões da pura Palavra de Deus, não está ganhando ninguém para Cristo!

A segunda é que a maioria das pessoas está, no desempenhar de seus “ministérios”, querendo na verdade ser maiores ou melhores que o próprio Mestre. Este é o problema central da coisa! Queremos ser maiores e melhores! Nosso Mestre, na opinião destes obreiros fraudulentos, deixou de ensinar muitas coisas... Assim, acrescentam-se novos ensinamentos ao puro ensino que Ele deixou, e os ensinamos como se fossem ensinamentos do próprio Senhor... Revelações... Doutrinas... Práticas... Novidades e mais novidades... Tudo isto transforma o Evangelho em uma colcha de retalhos, numa caricatura que se afasta das Escrituras e serve de chacota para o mundo.

Quantas almas você já ganhou para Jesus?
Espero que tenham sido muitas...
Espero também que tenham sido ganhas REALMENTE para Jesus, e não para seu próprio ego, e não para engordar as suas estatísticas pessoais e ministeriais, e não para se tornar um líder mais poderoso, e não para referendar seu ministério e dar a ele e o status de ministério aprovado por Deus com certificação ISO e tudo o mais, e não para afastar estas almas ainda mais da pura Palavra de Deus...

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós. Ai de vós, condutores cegos!...” (Mt 23:15-16)

Do blog do autor


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PAIS & FILHOS

Dia dos pais está chegando e temos em nossa frente uma ótima oportunidade para redimir tal festividade. Vejo três formas em que podemos fazer isto:
(1) meditarmos no amor do nosso Pai Celeste e amá-lo de todo nosso coração,
(2) amarmos nossos pais terrenos, honrando-os,
(3) compartilharmos o evangelho falando da paternidade de Deus.

Trataremos cada ponto em uma postagem. Começando hoje, iremos refletir sobre nosso Pai Celeste. No artigo abaixo, Ronald Hanko fala sobre nossa adoção espiritual, nos lembrando de “como é grande o amor que o Pai nos concedeu: que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos!” (1 João 3:1)

A adoção com muita freqüência não é incluída na ordem da salvação. A razão não é que a Escritura não fale dela, mas que ela é um benefício da justificação. Portanto, deve ser entendida como estando inclusa na justificação.
De fato, a adoção é o primeiro e o maior dos benefícios da justificação. Quando nossos pecados são livremente perdoados e somos feitos justos em Cristo, Deus não somente nos recebe, mas nos recebe também como seus filhos queridos.
A Escritura fala freqüentemente da nossa adoção, do fato que somos pela graça filhos de Deus, e que ele é o nosso Pai. Não é inapropriado, então, falar de adoção como um tópico distinto.
A adoção, como a justificação, tem vários passos. Ela pode ser traçada até os conselhos da eternidade e tem sua conclusão nos novos céus e nova terra. Os passos são esses:
Primeiro, Deus coloca seu amor em nós e nos escolhe desde a eternidade para sermos seus filhos (Rm. 8:29; Ef. 1:5). Lembre-se: Deus não nos escolhe porque merecíamos ou mereceríamos ser seus filhos, mas para que pudéssemos ser seus filhos. Fomos predestinados para a adoção de filhos.
Predestinados eternamente, preparados em Cristo, possuídos através do Espírito, e aperfeiçoados na eternidade – que obra maravilhosa e graciosa de Deus é a nossa adoção.

Segundo, no sofrimento e morte de Cristo Deus provê uma base legal para a nossa filiação, pois não teríamos nenhum direito ao seu amor paternal e cuidado e nenhum direito para morar em sua casa sem esse fundamento legal (Gl. 4:4,5; Ef. 2:13) Poderíamos pensar nisso da seguinte forma: nossos papéis de adoção foram escritos e selados com o sangue de Cristo.
Terceiro, somos realmente recebidos na comunhão e na família de Deus através da obra do Espírito, de forma que experimentamos seu amor e cuidado por nós (Gl. 4:6,7). Falando da vinda do Espírito Santo, João 14:18 diz literalmente: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros”.
Nesse ponto na adoção, Deus faz uma maravilha que transcende a prática terrena da adoção. Deus pelo Espírito nos faz nascer de novo em sua própria imagem e semelhança, para que sejamos como ele, algo que nunca pode ser verdade com respeito aos nossos próprios filhos adotados (Ef. 4:24; 1 João 3:1,2).
Quarto, porque “ainda não se manifestou o que haveremos de ser” (1 João 3:2), haverá no dia do julgamento o que a Escritura chama de “a manifestação dos filhos de Deus” (Rm. 8:19). Então todos verão que estamos em Cristo, e seremos recebidos em nosso lar eterno para habitar ali com o nosso Pai para sempre. Nesse dia nossos corpos também serão adotados, isto é, redimidos da presença e poder do pecado (v. 23). É por isto que esperamos.
Predestinados eternamente, preparados em Cristo, possuídos através do Espírito, e aperfeiçoados na eternidade – que obra maravilhosa e graciosa de Deus é a nossa adoção. Como João diz: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1 João 3:1).
Fonte (original): Doctrine according to Godliness, Ronald Hanko, Reformed Free Publishing Association, p. 202-203.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

A Cabana – O fim do discernimento evangélico

por Albert Mohler Jr.
Albert Mohler
Albert Mohler
O mundo editorial vê poucos livros alcançarem o status de blockbuster, mas A Cabana, de William Paul Young já ultrapassou esse ponto. O livro, originalmente auto-publicado por Young e mais dois amigos, já vendeu mais de 10 milhões de cópias e foi traduzido para em mais de trinta línguas. Já é um dos livros mais vendidos dois últimos tempos, e seus leitores são muito entusiasmados.
De acordo com Young, o livro foi escrito originalmente para seus filhos. Essencialmente, a história pode ser descrita como uma teodicéia narrativa – uma tentativa de responder às questões sobre o mal e o caráter de Deus por meio de uma história. Nessa história, o personagem principal está enfrentando grande sofrimento após o seqüestro e homicídio brutal de sua filha de sete anos, quando recebe um convite que se torna um chamado de Deus para encontrá-lo na mesma cabana onde sua filha foi assassinada.
Na cabana, “Mack” se encontra com a divina Trindade: “Papa”, uma mulher afro-americana; Jesus, um carpinteiro judeu; e “Sarayu”, uma mulher asiática revelada como sendo o Espírito Santo. O livro é na maior parte uma série de diálogos entre Mack, Papa, Jesus e Sarayu. Essas conversas revelam um Deus bem diferente do Deus da Bíblia. “Papa” é alguém que nunca faz algum julgamento e parece muito determinado em afirmar que toda a humanidade já foi redimida.
A teologia de A Cabana não é incidental na história. De fato, em muitos pontos a narrativa parece servir apenas como estrutura para os diálogos. E os diálogos revelam uma teologia que é, no mínimo, inconvencional e indubitavelmente herética sob alguns aspectos.
Enquanto o dispositivo literário de uma “trindade” incomum das pessoas divinas é em si mesmo sub-bíblico e perigoso, as explicações teológicas são piores. “Papa” fala a Mack sobre o momento em que as três pessoas da Trindade “se manifestaram à existência humana como o Filho de Deus”. Em lugar algum da Bíblia se fala sobre o Pai ou o Espírito vindo à existência humana. A Cristologia do livro é semelhantemente confusa. “Papa” diz a Mack que, mesmo Jesus sendo completamente Deus, “ele nunca dependeu de sua natureza divina para fazer alguma coisa. Ele apenas viveu em relacionamento comigo, vivendo da mesma maneira que eu desejo viver em relacionamento com todos os seres humanos”. Quando Jesus curou cegos, “Ele o fez apenas como um ser humano dependente e limitado, confiando em minha vida e meu poder trabalhando nele e através dele. Jesus, como ser humano, não tinha poder algum em si para curar qualquer pessoa”.
Há uma extensa confusão teológica para desbaratar aí, mas é suficiente dizer que a igreja cristã tem lutado por séculos para ter um entendimento fiel da Trindade para evitar exatamente esse tipo de confusão – um entendimento que põe em risco a própria fé cristã.
Jesus diz a Mack que é “a melhor forma para qualquer humano se relacionar com Papa ou Sarayu”. Não o único caminho, mas apenas o melhor caminho.

Em outro capítulo, “Papa” corrige a teologia de Mack ao afirmar “Eu não preciso punir as pessoas pelo pecado. O pecado é a própria punição, te devorando por dentro. Não é meu propósito puni-lo; minha alegria é curá-lo”. Sem dúvida alguma, o prazer de Deus está na expiação alcançada pelo Filho. Entretanto, a Bíblia revela consistentemente que Deus é o santo e correto Juiz, que irá de fato punir pecadores. A idéia de que o pecado é meramente “a própria punição” se encaixa no conceito oriental de karma, não no evangelho cristão.
A Cabana, por William P. YoungO relacionamento do Pai com o Filho, revelado em textos como João 17, é rejeitado em favor de uma igualdade absoluta de autoridade entre as pessoas da Trindade. “Papa” explica que “nós não temos nenhum conceito de autoridade final entre nós, apenas unidade”. Em um dos parágrafos mais bizarros do livro, Jesus fala para Mack: “Para está tão submisso a mim como eu estou a ele, ou Sarayu a mim, ou Para a ela. Submissão não tem a ver com autoridade e não é obediência; tem a ver com relacionamentos de amor e respeito. Na verdade, somos submissos a você da mesma forma”.
A submissão da trindade a um ser humano – ou a todos os seres humanos – teorizada aqui é uma inovação teológica do tipo mais extremo e perigoso. A essência da idolatria é a auto-adoração, e a idéia de que a Trindade é submissa (de qualquer forma) à humanidade é indiscutivelmente idólatra.
Os aspectos mais controversos da mensagem do livro envolvem as questões de universalismo, redenção universal e reconciliação total. Jesus diz a Mack: “Aqueles que me amam vêm de todos os sistemas existentes. São Budistas ou Mórmons, Batistas ou Muçulmanos, Democratas, Republicanos e muitos que não votam ou não fazem parte de qualquer reunião dominical ou instituição religiosa”. Jesus acrescenta, “Eu não tenho nenhum desejo de torná-los cristãos, mas apenas acompanhá-los em sua transformação em filhos e filhas do meu Papa, em meus irmãos e irmãs, meus Amados”.
Mack faz então a pergunta óbvia – todos os caminhos levam a Cristo? Jesus responde “muitos caminhos não levam a lugar algum. O que significa que eu vou caminhar por qualquer caminho para te achar”.
Dado o contexto, é impossível não tirar conclusões essencialmente universalistas ou inclusivistas sobre o pensamento de William Young. “Papa” diz a Mack que ele está reconciliado com todo o mundo. Mack questiona: “Todo o mundo? Você quer dizer aqueles que acreditam em você, certo?”. “Para” responde “O mundo inteiro, Mack”.
Karl Barth
Karl Barth
Tudo isso junto leva a algo muito parecido com a doutrina da reconciliação proposta por Karl Barth. E mesmo que Wayne Jacobson, colaborador de William Young, tenha lamentado que a “auto intitulada polícia doutrinária” tenha acusado o livro de ensinar a reconciliação total, ele reconhece que as primeiras versões dos manuscritos eram muito influenciadas pelas convicções “parciais, na época” de Young na reconciliação total – o ensino de que a cruz e a ressurreição de Cristo alcançaram uma reconciliação unilateral de todos os pecadores (e toda a criação) com Deus.
James B. DeYoung, do Western Theological Seminary, especialista em Novo Testamento que conhece William Young há anos, afirma que Young aceita uma forma de “universalismo cristão”. A Cabana, ele afirma, “está fundamentado na reconciliação universal”.
Mesmo quando Wayne Jacobson e outros reclamam daqueles que identificam heresias em A Cabana, o fato é que a igreja Cristã identificou explicitamente esses ensinamentos exatamente como são – heresia. A questão óbvia é: Como é que tantos cristãos evangélicos parecem não apenas serem atraídos para essa história, mas para a teologia apresentada na narrativa – uma teologia que em muitos pontos conflita com as convicções evangélicas?
Observadores evangélicos não estão sozinhos nessa questão. Escrevendo em The Chronicle of Higher Education (A Crônica da Alta Educação N. T.), o professor Timothy Beal da Case Western University argumenta que a popularidade de A Cabana sugere que os evangélicos talvez estejam mudando sua teologia. Ele cita os “modelos metafóricos não bíblicos de Deus” do livro, assim como o “não hierárquico” modelo da Trindade e, mais importante, “a teologia da salvação universal”.
Beal afirma que nada dessa teologia é parte da “teologia evangélica tradicional”, e então explica: “De fato, todas as três estão enraizadas no discurso acadêmico radical e liberal dos anos 70 e 80 – trabalho que influenciou profundamente a teologia da libertação e o feminismo contemporâneo, mas, até agora, teve pouco impacto nas conjecturas teológicas não acadêmicas, especialmente dentro do meio religioso tradicional”.
Ele então pergunta: “O que essas idéias teológicas progressivas estão fazendo dentro desse fenômeno evangélico pop?”. Resposta: “Poucos de nós sabemos, mas elas têm sido presentes nas margens liberais do pensamento evangélico por décadas”. Agora, continua, A Cabana tem introduzido e popularizado esses conceitos liberais mesmo em meio aos evangélicos tradicionais.
Timothy Beal não pode ser considerado apenas um “caçador de heresias” conservador. Ele está empolgado com a forma que essas “idéias teológicas progressivas” estão “se infiltrando na cultura popular por meio dA Cabana”.
De forma similar, escrevendo em Books & Culture (Livros & Cultura N.T.), Katherine Jeffrey conclui que A Cabana “oferece uma teodicéia pós-moderna e pós-bíblica”. Enquanto sua maior preocupação é o lugar do livro “em um cenário literário cristão”, ela não pode evitar o debate dessa mensagem teológica.
Lendo A Cabana
"A resposta não é banir A Cabana ou tirá-lo das mãos dos leitores"
Ao avaliar o livro, deve manter-se em mente que A Cabana é uma obra de ficção. Mas é também um argumento teológico, e isso não pode ser negado. Um grande número de romances e obras de literatura notáveis contém aberrações teológicas e até heresias. A questão crucial é se a aberração doutrinária é apenas parte da história, ou é a mensagem da obra propriamente dita. Quando se fala em A Cabana, o fato mais perturbante é que muitos leitores são atraídos pela mensagem teológica do livro, e não enxergam como ela é conflitante com a Bíblia em tantos pontos cruciais.
Tudo isso revela um fracasso desastroso do discernimento evangélico. É difícil não concluir que o discernimento teológico é agora uma arte perdida entre os evangélicos – e essa perda só pode levar à catástrofe teológica.
A resposta não é banir A Cabana ou tirá-lo das mãos dos leitores. Não devemos temer livros – devemos lê-los para respondê-los. Precisamos desesperadamente de uma restauração teológica que só pode vir através da prática do discernimento bíblico. Isso requer de nós identificarmos os perigos doutrinários de A Cabana, para termos certeza. Mas nossa tarefa verdadeira é reaproximar os evangélicos dos ensinos da Bíblia sobre essas questões e cultivar um rearmamento doutrinário dos cristãos.
A Cabana é um alarme para o cristianismo evangélico. É o que dizem afirmações como as de Timothy Beal. A popularidade desse livro entre os evangélicos só pode ser explicada pela falta de conhecimento teológico básico entre nós – uma falha no próprio entendimento do Evangelho de Cristo. A perda trágica da arte do discernimento bíblico deve ser assumida como uma perda desastrosa de conhecimento bíblico. Discernimento não consegue sobreviver sem doutrina.

Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo

terça-feira, 10 de julho de 2012

AMAR A CRISTO COM TODO O NOSSO ENTENDIMENTO

Texto base: Marcos 12:28-30

"Um dos mestres da lei aproximou-se e os ouviu discutindo. Notando que Jesus lhes dera uma boa resposta, perguntou-lhe: “De todos os mandamentos, qual é o mais importante?”
Respondeu Jesus: “O mais importante é este: ‘Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’."
 
Se compararmos o texto de Marcos com o texto original (Dt 6:5) perceberemos que Cristo adiciona o amar com “todo entendimento”.

O ponto é deixar claro que temos que amar a Deus com todo nosso ser, inclusive nosso pensar. Mas pense sobre isso. Será que estamos acostumados a amar alguém com nossa mente?


Falamos: “eu te amo de todo coração” ou “eu te amo de toda minha alma”, mas quem fala “eu te amo com todo meu cérebro”?
Então, como amar a Deus com toda nossa mente, tendo nosso pensamento centrado em Cristo, principalmente fora da igreja?
Amar a Deus com todo o teu entendimento
Precisamos aprender a ter prazer tanto ao ler a Bíblia, quanto ao ler o livro da natureza, as coisas que Deus criou. E esse pensar faz com que nosso amor desperte. Quando você ama alguém você busca conhecê-la. Da mesma forma, quem ama a Deus irá buscar conhecê-lo; e quanto mais o conhecermos, mais glorioso Ele será aos nossos olhos.
Amar a Deus com todo o teu entendimento
Somos chamados para amar a Deus com o entendimento que já temos dele. Precisamos crescer em entendimento, mas isso não significa que para amar a Deus você precisa antes ser um PhD.

Amar a Deus com todo o teu entendimento
E este é o desafio: todo nosso pensamento, quer extensivamente (todo tipo de pensamento), como intensivamente (com todo empenho).
A primeira coisa que precisamos aprender disso é não dividir a mente, como se houvesse uma mentalidade para a igreja e outra para fora da igreja.
A divisão não é se algo é de igreja (“gospel”) ou não, mas se Deus é honrado ou não – e isso pode acontecer tanto dentro como fora da igreja.
Em segundo lugar, será que pensamos como o mundo? Alguns exemplos:
  • O que é preciso para casar? Estabilidade financeira? Terminar a faculdade, mestrado, doutorado? Construir a casa própria? Não é assim que o mundo pensa? Será que temos, como o mundo, confiado no dinheiro ou temos confiado em Deus?
  • Tratamos fé e trabalho são coisas separadas? Será que um cristão pode trabalhar em qualquer coisa? Seu trabalho fere princípios morais da Escritura?
  • Somos seguidores ou criados de cultura? Será que estamos copiando as coisas do mundo e adicionado o termo “gospel” depois?
Se você pensa como o mundo, você será mundano mesmo que esteja dentro da igreja. Mas seja encorajado pelo exemplo de Daniel, que fez apesar de ter feito “a faculdade da Babilônia” (e você não precisa fugir da sua faculdade) não se contaminou com as coisas do mundo e manteve sua santidade e cosmovisão.
Por Heber Campos Jr. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

SÓ MAIS UM

Sou um pastor vira-lata

"Não tenho sobrenome famoso.
Não  tenho quem me indique. Nem  referências de nenhuma espécie.
Não tenho formação teológica  acadêmica. Nem artigos publicados em ... revistas famosas.
Não tenho dinheiro. Não recebo salário  de pastor. Nem tenho mídia e  programas na TV.
Não tenho minha imagem em banners.
Nem na fachada da Igreja. Não sou bom  pro marketing do “negócio”.
Não tenho palavras agradáveis. Não  tenho retórica positivista. Nem presto  pra ensinar auto-ajuda.
Não tenho mega Igreja. Não tenho  planilhas com resultados. Nem  números expressivos.
Não tenho vergonha. Não tenho pudor.
Nem muito amor-próprio.
Não tenho roupas de grife. Nem  personal trainer.
Não tenho planos de dominação do  mundo. Nem de expansão do nome  “Manifesto”.
Sou um pastor vira-lata."

Este, pequeno manifesto é do meu amigo Gustavo Torres, Pastor de ovelhas e servo de Cristo.
No Salmo 23 observamos a importância do Pastor para ovelha,
é o Pastor quem checa onde sua ovelha tem se alimentado,
se ela tem sido influenciada, se existe vestígios de larvas nos ouvidos de suas ovelhas...
e caso haja, é ele quem colocará o azeite para que elas sejam expelidas.
Jesus é o exemplo perfeito de um pastor amoroso.
Ele engloba tudo o que um líder espiritual deveria ser.
Pedro O chamou de "Supremo Pastor" (1 Pedro 5:4).
Ele é nosso grande Resgatador, Líder, Guardião, Protetor, e Confortador.
É o Pastor que vai até a ovelha, é o Pastor que dá a vida pelas ovelhas e não o contrário.
O soberano Pastor nasceu numa manjedoura, não tinha os carrões da época, nem desejava os palácios.
"Procura conhecer o estado das tuas ovelhas, e cuida bem dos teus rebanhos" Pv.27;23.
hoje poucos são os que entendem o que é realmente ser Pastor, Há muitos profissionais, não vocacionados, amantes de si mesmo,corrompidos e corruptores.

Gustavo, eu (Abner) também  sou  um Pastor Vira-Lata.
Nós não temos pedigree, mas temos o CRISTO e isso...é  o suficiente para toda a eternidade.