quinta-feira, 17 de maio de 2012

JESUS CRISTO É O EVANGELHO

 
Uma das principais barreiras para a evangelização não é o ambiente, muitas vezes árido para a comunicação da mensagem, mas o entendimento, por parte da própria Igreja, quanto ao Evangelho.

Devido a uma influência secularista, liberal e reducionista na missiologia das últimas décadas, houve uma humanização de conceitos que necessitam de revisão bíblica. Talvez o principal seja o próprio Evangelho. Não é incomum lermos que “o Evangelho está sendo atacado no Egito” ou que “o Evangelho está entrando nos lugares distantes da Amazônia”. O que se quer dizer é que a Igreja está sendo atacada e entrando na Amazônia, manifestando que, em nossos dias, passamos a crer que a Igreja é o Evangelho. Essa equivocada compreensão cristã que iguala o Evangelho à Igreja - a nós mesmos - é ampla e popular, mas tem suas raízes em distorções bíblicas e teológicas que podem nos levar a caminhos erráticos na vida e prática cristã.

Paulo escreve aos Romanos no capítulo 1 sobre o “Evangelho de Deus” (v.1) que Deus havia prometido “pelos seus profetas nas Sagradas Escrituras” (v.2), o qual, quanto ao conteúdo, é “acerca do Seu Filho” (v.3), que é “declarado Filho de Deus em poder... Jesus Cristo, nosso Senhor” (v.4). Portanto fica claro: Jesus é o Evangelho.

Assim, se nos envergonharmos do Evangelho, estamos nos envergonhando de Jesus. Se deixarmos de pregar o Evangelho, deixamos de pregar Jesus. Se não crermos no Evangelho, não cremos em Jesus. Se passarmos a questionar o Evangelho, seus efeitos perante outras culturas e sua relevância hoje, nós não estamos questionando uma doutrina, um movimento ou a Igreja, estamos questionando Jesus.

O que Paulo expressa nesse primeiro capítulo é que, apesar do pecado, do diabo, da carne e do mundo, não estamos perdidos no universo. Há um plano de redenção e Ele se chama Jesus. O poder de Deus se convergiu nEle e Ele está entre nós.
Quando compreendemos mal o Evangelho, e o igualamos à Igreja, corremos o risco de proclamarmos denominações, igrejas locais, logomarcas e pregadores, pensando que com isso estamos evangelizando. Não há verdadeira evangelização sem a apresentação de Jesus Cristo, Sua vida, morte, ressurreição e paixão por nos salvar.

Um dos textos que mais sintética e profundamente expõe o Evangelho foi escrito por Paulo quando afirmou: “Pois não me envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego”. (Rm 1.16).

Em primeiro lugar, esta afirmação deixa bem claro que o Evangelho jamais será derrotado, pois o Evangelho é Cristo. Sofrerá oposição e seus pregadores serão perseguidos. Será questionado e deixarão de crer nEle. Porém, nunca será vencido, pois o Evangelho vivo, que é Cristo, é o poder de Deus.

Em segundo lugar, o Evangelho não é o plano da Igreja para a salvação do mundo, mas o plano de Deus para a salvação da Igreja. O que valida a Igreja é o Evangelho, não o contrário. Se a Igreja deixa de seguir o Evangelho, de seguir a Cristo, deixa de ser Igreja, ou Igreja de Cristo.

Em terceiro lugar, o Evangelho não deve ser apenas compreendido e vivido. Ele se manifestou entre nós para ser pregado pelo povo de Deus. Paulo usa essa expressão diversas vezes. Aos Romanos, ele diz que se esforça para pregar o Evangelho (Rm 15.20). Aos Coríntios, ele diz que não foi chamado para batizar, mas para pregar o Evangelho (1 Co 1.17). Diz também que pregar o Evangelho é sua obrigação (1 Co 9.16).

Devemos proclamar o Evangelho – lançar as sementes – a tempo e fora de tempo. Provérbios 11 nos encoraja a lançar todas as nossas sementes, “... pela manhã, e ainda à tarde não repouses a sua mão”.Essa expressão de intensidade e constância nos ensina que devemos trabalhar logo cedinho – quando animados e dispostos – e quando a noite se aproximar, o cansaço e as limitações chegarem, ainda assim não deixar de semear. Fala-nos sobre a perseverança na caminhada e no serviço. É preciso obedecer mesmo quando o sol se põe.

Jim Elliot, missionário entre os Auca do Equador na década de 50, afirmou que “ao chegar o dia da nossa morte, nada mais devemos ter a fazer, a não ser morrer”. Observemos nossa vida e lancemos a semente, cumprindo a missão.

Não importa mais o que façamos em nossas iniciativas missionárias, é preciso pregar o Evangelho. A pregação abundante do Evangelho, portanto, não é apenas o cumprimento de uma ordem ou uma estratégia missionária, mas o reconhecimento do poder de Deus.

Somos lembrados por Paulo a jamais nos envergonharmos do Evangelho que um dia no abraçou, pois não é uma ideia ou um movimento, mas uma Pessoa, o Evangelho é Jesus.



terça-feira, 8 de maio de 2012

OS ERROS DOS CLICHÊS CRISTÃOS PÓS-MODERNOS

Vivemos a era das frases curtas. De repente a nossa fé pulou no imaginário de uma enorme parcela da Igreja brasileira da Bíblia e dos livros para adesivos de automóvel, 140 caracteres do twitter, fotos com frasezinhas do Facebook, slideshows no YouTube, blogs com três ou quatro parágrafos. Preguiçosos que somos, passamos a ser governados por teologia fast food em vez de por leituras com introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo de algum tempo, fiz uma coletânea de clichês gospel que ouço pelos arraiais evangélicos (das igrejas organizadas aos desigrejados) para que possamos comentar cada um. Leia e veja se você já não ouviu essas frases serem repetidas montes de vezes – sem que aqueles que as falam tenham gasto cinco minutos refletindo sobre seu significado. Vamos analisá-los biblicamente e historicamente:
- “Eu declaro/decreto a bênção” – Bênçãos são benefícios vindos unilateralmente de Deus e por decisão soberana dEle. Ninguém pode declarar ou decretar uma bênção, pois está fazendo aquilo que só o Senhor pode fazer. Quem o faz toma o lugar de Deus e, portanto, pratica idolatria. Sem falar que essa afirmação, fruto da chamada “Confissão Positiva”, tem raízes em religiões demoníacas de Nova Era (saiba mais sobre isso no post Demonologia da Prosperidade).
- “Eu tomo posse da bênção” – “tomar posse” significa literalmente se apossar de algo que não é seu. Quem “toma posse” é um posseiro, ou seja, alguém que invadiu um local que não lhe pertence e impõe pela força e presença o domínio sobre o que é dos outros. Como vimos acima, bênção é um benefício outorgado por Deus, por sua soberania. Quem quer “tomar posse” de uma bênção está dizendo, em outras palavras, que vai arrancar do Senhor na marra aquilo que quer para si e que só receberia se fosse concedido pelo Todo-Poderoso. Logo, essa frase, (cunhada com base no Antigo Testamento, quando o povo de Israel entrou na Terra Prometida e teve de “tomar posse” dela na base da briga, visto que era habitada por outros povos) é uma afronta à vontade soberana de Deus, que concede bênçãos a cada um conforme lhe apraz e não porque as tomamos dele à força.
- “Tá amarrado” – parte do princípio de que podemos atar demônios com amarras espirituais. Não existe tal expressão na Bíblia e o que as Escrituras nos ensinam a fazer com os demônios é expulsá-los imediatamente quando se manifestam, e não amarrá-los. Não vemos nenhum exemplo bíblico de Jesus ou os apóstolos “amarrando” demônios. O padrão bíblico é: “Cala-te e sai”. Jesus não perdia tempo dialogando com demônios, apenas os mandava ficar quietos e então os expulsava. O único episódio de possessão em que Jesus vai além do “cala-te e sai” é o do gadareno. E, mesmo assim, a ordem de Cristo não é amarrar ninguém, mas sair na hora da pobre alma atormentada.
- “Temos que voltar ao modelo da Igreja primitiva” – se fizermos isso, estamos lascados. A Igreja primitiva, ao contrário do que existe no imaginário popular cristão, estava a anos-luz da perfeição. Em Atos lemos casos como os de Ananias e Safira, discordâncias com os judaizantes, brigas internas entre crentes como Paulo e Pedro, duplas missionárias sendo divididas por discordâncias. A esmagadora maioria das epístolas do NT foi escrita para consertar as montanhas de erros que os primeiros cristãos cometiam. Na Ceia do Senhor muitos iam só para matar a fome e os que levavam mais não dividiam com quem não tinha posses. Se lemos as sete cartas às igrejas de Apocalipse vemos como a maioria estava distante da vontade de Deus. Nos 313 anos em que houve perseguição do Império Romano aos cristãos, surgiu o fenômeno dos “lapsi”, aqueles que, ao contrário dos mártires, negavam Jesus perante as autoridades para salvar suas vidas – e não foram poucos os que fizeram isso. Nas catacumbas, que eram essencialmente cemitérios subterrâneos, os cristãos mais ricos tinham direito a sepulturas mais luxuosas que os pobres e, muitas vezes, ganhavam câmaras inteiras exclusvas para suas famílias. Havia muitos privilégios concedidos aos abastados na Igreja primitiva.
Além disso, a Igreja primitiva foi assolada por montes e montes de heresias que surgiram em seu seio, como gnosticismo, sabelianismo, modalismo, monofisismo, eutiquianismo, pelagianismo, marcionismo, ebionismo e outros “ismos” que denunciam como ela era dividida, como havia desacordos, divergências de visão e rachas. Tudo isso mostra que retomar o modelo da Igreja primitiva não é viver um Evangelho puro e simples, como muitos pensam, é voltar a uma época cheia de enormes poluições, divisões, pecados e problemas no seio do Corpo de Cristo. Igualzinho aos nossos dias.
- “Os primeiros cristãos se reuniam em lares e não em templos, por isso devemos voltar a esse modelo” – os primeiros cristãos, aqueles cheios de imperfeições que vimos acima, só se reuniam em lares por uma única razão: como por 313 anos o cristianismo foi considerada uma religião criminosa pelo Império Romano, qualquer um que se confessasse cristão tinha seus bens tomados, era preso, torturado e morto. Por isso, o culto a Jesus tinha de ser feito de modo escondido. O único lugar onde havia um mínimo de privacidade eram os lares dos cristãos, que podiam simular uma visita social e ali realizavam suas liturgias. Mas, com o Edito de Milão, no ano 313, decreto que liberou a religião cristã, imediatamente os que se ocultavam, ávidos por comungar com mais irmãos, começaram a erguer templos onde pudessem se ajuntar e reverenciar o Senhor coletivamente. Em pouco tempo, graças à liberdade religiosa, o culto em lares tinha sido extinto.
Para fazer um paralelo com nossos dias, é só ver o caso da China, por exemplo, onde não se pode cultuar Jesus publicamente e por isso lá existe a chamada “igreja subterrânea”, ou seja, os irmãos são obrigados a se reunir em pequenos grupos, nos porões de suas casas, para cultuar Jesus em oculto. Se você perguntar a um membro desses grupos em lares se eles preferem esse tipo de modelo ou se gostariam de ter templos onde se reunir em maior quantidade e celebrar a liturgia da adoração com muito mais irmãos (como eu já fiz, em entrevistas com membros da Igreja subterrânea chinesa para reportagens que escrevi), verá que TODOS eles dão preferência ao ajuntamento em santuários, onde poderiam comungar em maior número, num local dedicado e visível, que servisse de referência para os não cristãos em sofrimentos saberem que ali podem encontrar ajuda. Uma reunião num lar dificilmente será encontrada por quem está vivendo aflições que só Deus pode aliviar, o que não ocorre se você tem um templo bem visível.
- “Jesus não criou uma religião” – a palavra “religião” vem do latim “religare” e significa “ligar duas partes separadas”. Portanto, em sua essência, religião cristã é o contato entre Cristo e o homem, é o “religare” entre o Pai e o filho. Religião, assim, é relacionamento, é intimidade. Logo, quando ora você pratica religião. Quando lê a Bíblia você pratica religião. Etimologicamente, qualquer pessoa que se liga a Deus é um religioso sim senhor, pois pratica o “religare”. Portanto, ao ensinar a oração do Pai Nosso, Jesus nos estava ensinando a ser religiosos, no sentido de sabermos nos comunicar bem com o Pai. Quando ouvimos “pedis e nada recebeis pois pedis mal”, o que está sendo dito é “você está praticando mal a sua religião”. É claro que, como muitas palavras da língua portuguesa (como “manga”, que pode ser a fruta ou uma parte de uma blusa), o termo “religião” pode ter o significado de “prática organizada de uma fé”, basta ver no dicionário. É a “famigerada” instituição. Em geral é nessa acepção que a frase em questão é dita. Nesse sentido, quando Jesus diz a Pedro que sobre Ele (a Pedra) seria erguida Sua Igreja, o Mestre está estabecendo-se como o alicerce, o fundamento da fé que se seguiria pelos milênios a seguir. Só que Ele em nenhuma passagem da Bíblia especifica como o homem deveria manter o Corpo sobre esse fundamento. Isso é uma decisão que Jesus deixou a cargo do homem. Fato é que se Jesus nunca instituiu uma organização religiosa que o tivesse como alicerce, também nunca proibiu. Repare que o que Jesus critica, por exemplo, nos maus fariseus em momento algum é sua organização ou o fato de cultuarem Deus de modo institucional, sua crítica a eles era uma questão do indivíduo, do coração, e não da instituição: a hipocrisia, a falsa aparência de piedade, a religiosidade aparente sem um “religare” autêntico, sempre questões de foro pessoal e nunca institucional.
- “Jesus nunca construiu templos, por isso devemos nos reunir em lares” – se Jesus nunca construiu templos, também nuca construiu casas. Por esse argumento, se não devemos adorá-lo em templos institucionais também não poderíamos adorá-lo em lares. Dá na mesma. A resposta e a solução para essa pendenga de se podemos ou não cultuar Jesus em templos está em duas passagens bíblicas. Em João 4.19ss, lemos o diálogo entre o Mestre e a samaritana: “Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Disse-lhe Jesus: Mulher, podes crer-me que a hora vem, quando nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”. Eis a primeira resposta: seja no templo, num lar, no monte ou em Jerusalém, importa adorar em espírito e em verdade. Se é o que a pessoa faz, não se pode condenar o local só porque Jesus nunca construiu um edifício.
Temos que lembrar que os discípulos adoraram muitas vezes o Senhor na cadeia. E Jesus também nunca construiu uma cadeia. Outra passagem reveladora que contradiz essa frase incoerente está nas palavras de Jesus relatadas em Mateus 18.20: “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”. Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo de uma igreja institucional Ele ali não estará? Se houver dois ou três reunidos em nome de Jesus num templo do tipo que Jesus nunca ergueu Ele não se fará presente? A resposta é óbvia. Então o fato de Jesus nunca ter construído um templo, uma igreja ou uma catedral é absolutamente irrelevante, desde que haja ali dois ou três reunidos em Seu nome e o adorando em espírito e em verdade. Quem perde tempo combatendo isso e advogando furiosamente a reunião em lares só está perdendo tempo.
- “Não cai uma folha da árvore se Deus não deixar” – embora faça sentido biblicamente, visto que Deus é soberano e controla tudo o que ocorre no universo, sejam fatos bons ou tragédias, essa frase não está em nenhum lugar da Bíblia.
- “Sou cristão, não evangélico” – essa frase é fruto da vergonha de ser designado pela mesma nomenclatura de igrejas e pastores que têm enlameado o bom nome da Igreja evangélica. Então, para evitar ser associados por amigos e parentes a esses grupos, muitos têm optado por se dizer apenas “cristãos” e repudiam enfaticamente o nome “evangélico”. Mais do que deixar de ser evangélicos, se tornam antievangélicos. Isso é nonsense, pelo simples fato que não resolve nada. Os que enlameiam nosso nome também se dizem “cristãos”. Pela mesma lógica, deveríamos abandonar esse termo também? A resposta é óbvia. Etimologicamente, “evangélico” é o que segue o Evangelho de Jesus. Historicamente, “evangélico” é o que segue o Evangelho conforme resgatado pela Reforma Protestante. Logo, se você é cristão, professa o Evangelho de Cristo e coaduna com os cinco “solas” da Reforma… você é evangélico, queira ou não. É uma nomenclatura de 500 anos que define quem tem essas características. Renegar isso é dizer que você não é o que você é. Portanto, em vez de dizer “não sou o que sou, sou só cristão” por vergonha de ser associado a igrejas e pastores dos quais se envergonha, o ideal é deixar claro para os de fora que nós somos sim evangélicos, enquanto os que praticam atrocidades em nome da fé é que não são.
Se alguém faz piadinha pelo fato de você ser evangélico, em vez de mudar sua nomenclatura aproveite a oportunidade e explique para o piadista a razão de você portar esse honroso nome, fale que evangélico significa “aquele que segue o Evangelho de Cristo conforme resgatado pelos reformadores”, explique por que os falsos cristãos não são evangélicos e aproveite para explicar o que são as boas-novas da salvação do genuíno Evangelho de Cristo. Assim, ser humilhado por ser evangélico é uma excelente oportunidade não de mudar por vergonha o que te define, mas sim de explicar aos não cristãos o que é o Evangelho da salvação. De e-van-ge-li-zar. A escolha é sua.
- “Deus é amor e por isso não controla as tragédias nem desastres naturais, como os tsunamis” – essa heresia teológica vem sendo pregada por um pequeno grupo que segue a linha do Teísmo Aberto americano, uma linha de pensamento que no Brasil foi chamada por um pastor evangélico que não se diz evangélico de Teologia Relacional. Ele e mais um punhado de pastores e acadêmicos celebrados nas mídias sociais (além de um grupinho de pessoas que tentam pegar carona em suas celebridades para se promover) começaram a propagar essas ideias pelas redes sociais, dizendo que Deus abriu mão de sua soberania e não controla as tragédias que ocorrem no mundo. Segundo essa heresia, Deus só está preocupado em relacionamentos e o conceito de Jeová controlando as forças da natureza seria fruto da incorporação de valores da filosofia e da religião grega no Cristianismo. Esquecem que Deus abriu o Mar Vermelho e o Rio Jordão, que Jesus acalmou a tempestade, que o Sol “parou” e retrocedeu, que houve um terremoto no momento em que Jesus entregou o seu Espirito… para essa heresia tudo isso são metáforas, o que associa esse pensamento à diabólica Teologia Liberal de Bultmann e outros teólogos – segundo a qual a Bíblia não é literal e muitos de seus relatos são apenas fábulas. Ao propagar essa afirmação, os adeptos da Teologia Relacional destituem Deus daquilo que é indissociável de Sua essência: Seu poder absoluto sobre todas as coisas e Sua soberania sobre tudo o que ocorre no universo. É, portanto, uma afirmação antibíblica e anticristã.
- “Padussinhô” – cumprimento que originalmente tinha um significado muito bonito e bíblico: “A paz do Senhor”. O problema é que a expressão de popularizou de tal forma que as pessoas nem pensam mais no significado do termo. Passam umas pelas outras no corredor da igreja e soltam um “Padussinhô” sem nem se tocar do profundo significado da expressão. Da próxima vez que você for saudar alguém com essas palavras, concentre-se em seu belo significado: que você está desejando a aquele irmão a paz que excede todo o entendimento vinda do Príncipe da Paz, que saudava seus amigos desejando exatamente a mesma coisa. Lembra das palavras do Mestre ao chegar, ressurreto, entre os discípulos, por exemplo, em Lucas 24? “Falavam ainda estas coisas quando Jesus apareceu no meio deles e lhes disse: Paz seja convosco!”. Não deixemos uma saudação tão significativa perder seu sentido: ao a falarmos, que de fato estejamos desejando paz a aquela pessoa. Só um porém: você já parou para pensar o que exatamente significa “paz”? Significa “Quietação de ânimo, sossego, tranquilidade, ausência de dissensões, boa harmonia, concórdia, reconciliação”. Vale a pena investir um tempo meditando sobre cada um desses valores que dedicamos aos irmãos.
- “Temos que contextualizar o Evangelho à cultura de cada época e sociedade” – a afirmação em si é correta, isso é exatamente o que temos de fazer. Não adianta pregarmos o Evangelho no século 21 de túnica e sandália de couro. O problema é que alguns setores da Igreja têm levado essa ideia correta além no limite de segurança. Têm conduzido esse conceito ad absurdum. Com isso, tentam com tanta força e ímpeto falar a linguagem de nossos tempos para atrair o mundo que acabam muitas vezes sendo mais mundo que Igreja. É o que ocorre, principalmente, entre a chamada Igreja emergente: os próprios pastores acabam cometendo excessos e absurdos como pregar falando palavrões de púlpito e recomendar a ida a seus membros a shows de artistas com letras anticristãs e estéticas agressivas, como Ozzy Osbourne e Titãs (grupo que tem canções altamente antibíblicas, como “Igreja”, “Homem Primata” e “Epitáfio”). É preciso muita cautela. Pois nunca podemos esquecer que o Evangelho é, sempre foi e sempre será escândalo para os que não creem e que é contracultura. Isso em qualquer época e em qualquer cultura.
- “Fala, Deus” – geralmente é dito quando um pregador diz algo que o irmão ou a irmã acham que deveria ser ouvido por alguém da igreja ou por toda a congregação. É uma espécie de “toma, desgraçado, que Deus tá dizendo aquilo que eu penso que você deveria ouvir”. Na maioria das vezes não é dito com amor no coração e, por isso, é algo reprovável. A não ser que a exortação seja para si mesmo. Aí… fala, Deus!
- “Eis que eu te digo…” – nos arraiais pentecostais significa que está começando uma profecia da parte de Deus. Nada contra. Sou pentecostal e creio na atualidade dos dons. O problema é que ser “profeta” dá status entre os irmãos, como se a pessoa que profetiza fosse merecedora de um amor especial da parte de Deus. Por isso, não são poucas as pessoas que simulam profecias e, com isso, cometem o gravíssimo pecado de pôr nos lábios do Senhor o que Ele não falou. Sem falar do estrago causado junto à pessoa a quem a falsa profecia foi dirigida, que vai acreditar que Deus lhe deu algum direcionamento que na verdade não deu. Assim, antes de dizer “eis que eu te digo”… trema!
- “Em nome de Jesus” – a expressão é bíblica e o Mestre nos autorizou a usá-la. A questão é que muitos a estão usando com significados que não deveriam ter, como se fosse um “abracadabra”. Como disse Walter McAlister no livro “O Fim de uma Era”, tem sido usada com o sentido de “tem que dar certo”. “Eu vou conseguir esse emprego em nome de Jesus”. “Você vai namorar fulano, em nome de Jesus”. “O liquidificador vai funcionar agora, em nome de Jesus”. Na verdade, qual é o significado bíblico dessa expressão? Quando alguém permite que outra pessoa faça algo em seu nome, está lhe concedendo a autoridade pessoal que detém. Por exemplo, se um soldado raso chega a um capitão e lhe diz para preparar um automóvel o capitão não lhe obedecerá, pois o soldado não tem autoridade de solicitar isso a um superior. Mas se um general diz a um soldado raso: “Vá até o capitão em meu nome e lhe diga para preparar um automóvel”, aquele soldado acabou de receber a autoridade que o general tem sobre o capitão para aquela tarefa especifica. Então ele pode chegar ao capitão e dizer: “Estou vindo em nome do general solicitar que prepare o carro” e o capitão obedecerá o soldado porque o pedido é segundo a autoridade do general. Em nome dele. Com Jesus é igual. Os homens não têm autoridade de expulsar demônios. Mas quando você expulsa “em nome de Jesus”, é a autoridade que nos foi concedida por Deus que está realizando aquele feito. Do mesmo modo, ser humano algum tem poder em si para curar uma doença sem ser por meios médicos. Mas se você ora “em nome de Jesus” pela cura, é a capacidade milagrosa de curar que Jesus tem e que nos foi concedida que está atuando. Ou seja, a forma correta de usarmos essa expressão é somente quando podemos substitui-la por “segundo a autoridade de Jesus concedida a mim para este fim”.
- “Jesus não criou hierarquias nem liturgias” – errado. Basta você ver que no céu existem anjos e arcanjos. O prefixo “arc” significa “o principal”, “o primeiro”, “o de maior autoridade”. Por isso, arcebispo é o principal dos bispos. Do mesmo modo, fica claro que no reino celestial o arcanjo tem um papel hierarquicamente superior a um anjo. Esse princípio do mundo espiritual também é aplicado na terra. A Bíblia manda respeitarmos as autoridades e diz que nenhuma autoridade há que não tenha sido constituída por Deus. Também manda servos obedecerem seus senhores. Afirma à mulher que deve ser submissa ao marido. Ou seja, em todas as instâncias da vida humana – seja política, profissional ou familiar – as Escrituras deixam claro que há uma hierarquia. Seria de se estranhar muito que justamente na vida espiritual isso não ocorresse. A Bíblia deixa claro que havia na Igreja do primeiro século pessoas com cargos de supervisão (o “bispo”, conforme mencionado nas epístolas a Tito e Timóteo. Os apóstolos tinham um papel de liderança, basta ver no episódio de Ananias e Safira e basta reparar como Paulo dá determinações às igrejas em suas epístolas. E aqui cabe uma observação: hierarquia não quer dizer que alguém é melhor do que outro ou mais especial. Simplesmente que desempenha uma função com maior poder de decisão. É como o capitão de um time de futebol: ele é igual aos demais, mas dentro de campo é quem dá as decisões. E, acima dele, está o técnico, que tem, inclusive, o poder de decidir substituir o capitão.
Já a liturgia fica clara quando Jesus institui a Ceia. É um cerimonial litúrgico por natureza: tem ordem, as etapas seguem uma ordem, há um modo de proceder, há a repetição da forma de fazer a cada vez que se celebra. A História conta que os encontros da Igreja no primeiro século seguiam uma liturgia não muito diferente dos cultos de hoje, com louvores cantados, a leitura das cartas ou textos considerados canônicos e uma exposição do Evangelho por quem liderava o encontro. Logo, hierarquia e liturgia não foram, como alguns equivocadamente afirmam, instituídos pelo imperador Constantino ao oficializar a fé cristã como religião oficial do Estado: são bem anteriores – no mínimo 200 anos anteriores.
- “Posso ser cristão em casa, sozinho, sem congregar” – esse é um erro vindo do desconhecimento sobre a essência de nossa fé. O Evangelho é, por essência, um estilo de vida coletivo. 1 Coríntios 12 deixa claro que somos um corpo. Um membro decepado de um corpo é uma anomalia grotesca. Jesus nunca propôs o isolamento como padrão e, mesmo quando se retirava para orar sozinho, levava consigo alguns de seus apóstolos. Portanto um cristão que não congrega está desobedecendo o padrão divino.
- “Não existe pecadinho ou pecadão” – existe sim. A partir do momento em que existe um pecado (a blasfêmia contra o Espirito Santo) que não tem perdão e que a Bíblia diz que há pecados que são para a morte e outros que não são (independente da interpretação que se dê a isso, há muitas: “Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para morte” – 1 Jo 5.16,17.), automaticamente fica claro que há gradações. Só haver um pecado imperdoável já é prova disso. No sentido de que qualquer pecado é desobediência a Deus… naturalmente todo pecado é equivalente, mas isso não desmerece que em suas consequências há sim níveis. A Bíblia é clara quanto a isso.
- “Manto!” – essa só pentecostal entende. Se bem que eu sou pentecostal e até hoje não entendi isso.
Por enquanto é isso. Se você se lembrar de mais algum clichê dos nossos dias usado nas igrejas, entre desigrejados, entre tradicionais ou pentecostais…não importa, entre cristãos em geral, basta acrescentar nos comentários. Só peço uma coisa: explique por que aquela palavra, expressão ou frase está biblicamente incorreta. Apenas mencioná-la não vai acrescentar. Se for o caso, faremos uma apreciação em cima do seu comentário.
Quem sabe assim, parando para pensar sobre o que falamos sem pensar… paremos um pouco para pensar sobre o que falamos! E, talvez, seja o caso de eliminarmos certas frases feitas do nosso meio que parecem corretas mas na verdade só servem para confundir. Ou não servem para nada mesmo. Tão ligados na fiação, varão e varoa dos mantos de fogo?
Paz a todos vocês que estão em Cristo.
Maurício Zágari é jornalista, escritor e editor do blog Apenas. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

VOZ DA VERDADE: Unicismo e Escândalos

O unicismo é hoje uma das doutrinas que mais causa transtornos aos evangélicos brasileiros. Dentre os assim chamados "sabelianistas" (defensores ou seguidores da doutrina de Sabélio), a Igreja "Evangélica" A Voz da Verdade é uma das que mais se destaca em nosso país; são exclusivistas e não medem palavras ao nos chamar de “desviados”. Embora não possa ser comparada a Igreja Tabernáculo da Fé – que também professa o unicismo – a IEVV é, sim, uma seita.

Origem

A IEVV foi fundada por Feud Moisés, após uma revelação que o tornaria conhecido como o “homem que encontrou Jesus no cinema”. Filho de libaneses, converteu-se em 1953. Teve um chamado “especial”, Jesus apareceu-lhe na tela de um cinema e disse que o faria pescador de almas. Transformado e arrependido começou a anunciar que existe somente um Deus e seu nome é Jesus. Dezenove anos depois, em 1973, Feud Moisés daria inicio ao conjunto Voz da Verdade, na antiga Igreja Pentecostal Unida do Brasil, da vila Paraíso, Santo André (SP). Depois de alguns conflitos surgidos entre o conjunto e a Igreja local, envolvendo questões de usos e costumes, se desligam, para fundar, na rua Casa Branca, 168, no bairro do mesmo nome, a Igreja Evangélica Voz da Verdade. Ali permaneceu, até se mudar para o seu atual endereço, no antigo cinema Tangara II, no Studio Center, no centro de Santo André. [1]

Como parte de seu programa anual, realizam periodicamente acampamentos em que são ministrados estudos e outras atividades da Igreja, sempre regadas ao som do conjunto A Voz da Verdade.

Declaração doutrinária

O Estatuto da Igreja Evangélica A Voz da Verdade (IEVV) assim declara:

Quando a Bíblia se refere a Deus, esta falando no Espírito Santo que é o Pai, criador e sustentador de tudo;Jesus tanto é o Pai, como é o Filho;Antes da manifestação de Jesus como homem, não havia Filho de Deus (somente os anjos eram tidos como filhos de Deus);Jesus pode ser Pai e também Filho? É muito lógico que sim, pois Ele é Deus. [2]

Escândalos

Para refrescar um pouco a memória dos que acreditam que o conjunto tem algum compromisso com as igrejas evangélicas, vejamos a seguinte linha cronológica de escândalos envolvendo A Voz da Verdade.

a. No dia 11 de maio de 1993, o CLC (Centro de Literatura Cristã) enviou uma carta para o Ministério Voz da Verdade suspendendo a distribuição do seu material, até que o referido explicasse a possível evidência de louvores a deuses estranhos. A resposta foi dada pelo pastor da Voz da Verdade cinco dias depois dizendo que não precisava do CLC e que seria um favor o CLC não adquirir seu material: "Não precisamos do Centro de Literatura Cristã; vocês e nada são a mesma coisa!". [3]

b. Inconformado com as verdades reveladas na lição 5 da revista da Escola Dominical, intitulada "Seitas Modalistas", do segundo trimestre de 1997, em que o pesquisador Esequias Soares da Silva menciona o conjunto Voz da Verdade com sua igreja na lista das seitas unicistas, o pastor Feud Moisés telefonou para o pastor Esequias ameaçando levar o caso aos tribunais. Após isso, o conjunto resolveu produzir um CD, distribuído gratuitamente para os crentes, com três estudos bíblicos defendendo o unicismo. [4]

c. Um certo jornal de Bauru, edição de julho de 1999, pág. 10 publicou a seguinte manchete: “Voz da Verdade diz que não é seita”. Tratava-se da apresentação do conjunto por ocasião do lançamento do seu CD – “Quando Deus se cala”. Estiveram presentes, segundo o jornal, cerca de 1500 pessoas, que pagaram de R$ 8,00 a R$ 10,00 pelo ingresso. O gasto total foi de R$ 12.000,00 e só o Voz da Verdade cobrou R$ 4,5 mil livre. Na entrevista concedida por um dos integrantes da banda, afirmou ele: “Atualmente o grupo Voz da Verdade tem sido perseguido por um fantasma: o boato de serem uma seita que prega heresias. Comentários, no mínimo, maldosos sendo que até agora ninguém provou que isso seria verdade. [5]

d. Nenhum outro escândalo teve maior repercussão do que o ocorrido em maio de 2001. Por ocasião do Fest-Gospel 2001, o pastor Carlos A. Moisés desafiou os pastores presentes a provarem que Deus tem sócio. Argumentou que quem acredita na doutrina da Trindade acredita nos ensinos pregados pelo Papa. Questionados pelo CACP via e-mail, o Pr. Carlos A. Moisés enviou a seguinte resposta:

"Primeiramente, eu gostaria de lhe informar que quem vos escreve é o mesmo que estava gritando no palco em São José do Rio Preto. Em segundo lugar, não estou nem um pouco preocupado... você e nada pra mim é igual a NADA. Alguém, como você, que nega o nome de JESUS não é merecedor de minha apreciação. Se a tua igreja não cantar, MILHÕES de igrejas cantarão por todo o Brasil, por isso você não faz DIFERENÇA. O dia que você conseguir fazer com que as igrejas de todo o país parem de cantar nossos hinos, aí você será um vencedor”.


Concordo com o professor Esequias quando diz que a doutrina da Trindade é uma questão de vida ou morte. Infelizmente poucos líderes parecem levar isso a sério, abrindo suas portas e permitindo que o conjunto faça de suas ovelhas consumidores de suas músicas e CDs, além de embutir em sua mente a crença em um deus que se manifesta ao homem através de máscaras ou manifestações.


Referências Bibliográficas

1. MOISES, R.C. Revelação do Amor, A Voz da Verdade, pág. 6.
2. A Igreja Evangélica a Voz da Verdade e o Unicismo, Defesa da Fé, ano 3, número 20, março de 2000, pág. 54.
3. Manual de Apologética Cristã, Esequias Soares da Silva, CPAD, pág. 334
4. Ibidem, pág. 333
5. Igreja Evangélica A Voz da Verdade. Será? Natanael Rinald, revista Defesa da Fé, março de 2000, pág. 52

Valdemiro Santiago prega a heresia ariana

 

 


De vez em quando falo aqui de alguns televangelistas modernos e chovem comentários me criticando com aquela balela do “não toque no ungido”. Alguns até chamam muitos desses televisivos vendedores de bênçãos de irmãos. Pois bem, o Valdemiro Santiago está no auge, a turma tem ido aos montes para a empresa dele atrás do milagre, lá tem até a “Terça-feira do Milagre Urgente”. Mas, será que o que lá acontece é milagre mesmo? Se as curas pregadas ali são verdadeiras qual é a fonte? Você pode dizer: “e como eu vou saber pastor?” Bem, tem um teste. Leia com muita atenção o texto abaixo.


Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; Não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o SENHOR vosso Deus vos prova, para saber se amais o SENHOR vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma. Após o SENHOR vosso Deus andareis, e a ele temereis, e os seus mandamentos guardareis, e a sua voz ouvireis, e a ele servireis, e a ele vos achegareis. E aquele profeta ou sonhador de sonhos morrerá, pois falou rebeldia contra o SENHOR vosso Deus, que vos tirou da terra do Egito, e vos resgatou da casa da servidão, para te apartar do caminho que te ordenou o SENHOR teu Deus, para andares nele: assim tirarás o mal do meio de ti (Deuteronômio 13.1-5).


Você entendeu o texto? Deus diz que mesmo se o homem profetizar,  fizer sinais e prodígios, as coisas acontecerem direitinho, mas se a SUA DOUTRINA não for de acordo com a Palavra de Deus, ele é um falso profeta. E pode até ser que esse falso profeta seja levantado por Deus para ver se as pessoas realmente estão ligadas as Escrituras, conhecem doutrina, Teologia, ou não conhecem nada e vão atrás de qualquer um. Agora leia o que Valdemiro Santiago escreveu (em um texto muito ruim diga-se de passagem) no site de sua empresa:


“Muita gente pela tradição da religião, não entende a historia de Jesus. Alguns falam de natal, mas ninguém sabe o dia exato em que Jesus Cristo nasceu. Segundo que Jesus já existia muito antes de tudo. Ele é a imagem do Deus invisível, a encarnação do verbo. Mas ele não é sempiterno, é eterno. O pai que é Deus é sempiterno, aquele que antes dele nunca existiu como ele, nem existirá depois dele, sempre existiu e sempre existirá. A primeira obra dele foi Jesus Cristo”, (Veja aqui no site dele).



Você sabe que ensinamento é esse que Valdemiro está transmitindo? Eu refresco sua memória: é Arianismo. E o que é arianismo? É uma heresia que foi condenada no Concilio de Nicéia em 325 d.C,. Nessa heresia um homem chamado Ário ensinou que Deus Pai era maior do que Cristo, e que Jesus foi na realidade a primeira criação de Deus. Assim , Jesus não era Deus com o Pai, mas era uma criação dEle, assim como os anjos. Pois é amigos, é isso que esse homem chamado de pastor por muitos, e pela maioria de apóstolo está ensinando. Uma heresia antiga revisitada. Agora a pergunta, os milagres que ele diz que faz lá na empresa dele são legítimos? Vem de Deus ou de outra fonte? Se você entendeu o texto de Deuteronômio acima você também sabe a resposta. Caros amigos, observem o que escreveu o apóstolo verdadeiro chamado João:

“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo (1 João 4:1)”.

Cuidado, muito cuidado com que você chama de pastor, e a quem você dá crédito e audiência. São casos como esse que nos mostram como os que se dizem crentes em diversas igrejas neo-pentecostais estão sendo mal ensinados, e até ensinados a acreditar em heresias pelos seus lideres. Urge conhecer a Escritura, urge.



“Não se preocupe, o melhor de Deus para a sua vida está por vir”?



A frase virou mesmo um chavão e está constantemente na boca de vários irmãos. Diante dos problemas e adversidades, a palavra de “consolo” é: “Não se preocupe, o melhor de Deus para a sua vida está por vir”. O que se quer dizer com isso é que por mais que a vida tenha lá suas adversidades e problemas, aquele que sofre pode estar descansado, pois haverá um dia em que as lutas cessarão, não haverá mais pranto e nem dor.

Conquanto seja isso verdadeiro e prometido na Escritura, que afirma que o Senhor enxugará dos olhos toda lágrima (Ap 21.4), é preciso analisar o que de fato se deseja ao dizer que “o melhor de Deus está por vir”.


Se com essa frase os crentes estivessem almejando estar de uma vez por todas na presença física do Senhor Jesus, ela ganharia um belo sentido, porém, ao observar que ela é dita geralmente em momentos de dificuldades, fica evidente que “o melhor de Deus” que é esperado é simplesmente a ausência das tribulações. Nesse caso, perde-se a perspectiva de que o melhor de Deus já veio quando ele enviou seu Filho ao mundo (Jo 3.16) em semelhança de homens (Fp 2.7) para justifica-los pela fé e conceder a eles paz com Deus (Rm 5.1).

Quando o Senhor Jesus afirmou a seus discípulos: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (Jo 14.27), ele falava sobre a reconciliação com Deus, não sobre a ausência de problemas. Se assim não fosse, os discípulos não teriam ouvido dele que no mundo teriam aflições (Jo 16.33). A despeito disso ele ordena aos discípulos ter bom ânimo, o que demonstra que o consolo não estava em esperar a cessação das aflições, mas na certeza de que aquele que venceu o mundo estaria com eles todos os dias, inclusive em meio às dificuldades, até a consumação dos séculos (Mt 28.20).


Era a certeza de que Jesus era o melhor de Deus e, portanto, suficiente para a sua vida que levava Paulo a declarar: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.11-13). Sua alegria não dependia das circunstâncias, mas de estar na presença do Senhor Jesus. Por isso mesmo ele também podia dizer que viver para ele era Cristo, e morrer, lucro, pois sabia que estar com Cristo é incomparavelmente melhor (cf. Fp 1.21,23).


Saber que o melhor de Deus para nós, Cristo Jesus, já veio deve nos levar ao entendimento de que até as tribulações e aflições não fogem a seu controle, antes, são usadas pelo Senhor para nos tornar cada dia mais parecidos com o nosso Redentor. Isso nos leva também a colocar em prática as palavras de Tiago, que diz que devemos ter como motivo de muita alegria o passar por várias provações, entendendo que a finalidade da provação é produzir a esperança, que cumpre o seu papel ao nos tornar perfeitos, íntegros e em nada deficientes (Tg 1.2-4).


Como já foi afirmado, uma vida sem aflições, sem pranto e nem choro é prometida por Deus para aqueles que são de Jesus. Porém, querer estar com Jesus não por quem ele é, mas por aquilo que ele nos concede e concederá é uma atitude idólatra, que revela que amamos mais a bênção concedida do que aquele que nos abençoa.


O melhor de Deus já veio, Cristo Jesus, e se buscarmos nele alegria e satisfação viveremos também contentes, em toda e qualquer situação.


Publicado em E a bíblia com isto?

sexta-feira, 23 de março de 2012

FALANDO DE TEOLOGIA

Obs: Respondendo algumas perguntas dos meus alunos.

O QUE É TEOLOGIA?
Antigamente: Unir-se a Deus  em oração. Rm 11:33
Hoje: Estudo de Deus.
Quem é o Teólogo?
                       É aquele que :  
  1. Conhece
  2. Adora
  3. Aproxima
  4. Pesquisa
  5. Relaciona
  6. Nasceu de novo

Jesus Cristo é a revelação supra de Deus. Portanto nossa Teologia deve ser Cristocêntrica.
Um Teólogo sincero não teme duvidas. Por que para ele vê a

DUVIDA  como aliada da FÉ.
A Fé primária gera Fé madura após relacionamento genuíno com Deus.

“Penso. Logo existo.” Séc. XVII- Descartes – Refletindo a duvida a partir da Fé.

O que é duvida?
Duvida não é ceticismo, ou seja, uma decisão deliberada de duvidar por uma questão de princípios.
Não é incredulidade, ou seja, o ato /vontade de  não crer.
Portanto,  não se trata  da DIFICULDADE EM CRER.

Vejamos o que esta escrita em Mc. 9:24: “ Eu tenho fé, ajude-me a (crer) ter mais fé”.

A duvida é conseqüência do pecado em nós, uma limitação humana.

Então como lidar com a duvida?
Ela deve seu um trampolim que nos lance a um encontro definitivo com Deus.

O que é Soterologia?
De maneira direta, Doutrina da Salvação.
Mas, é importante ressaltar que o ponto de partida da nossa profissão de Fé é a Cruz.

O que é Fé Salvifíca?
É a Fé mais racional.

Ela possui 3 elementos imprescindíveis:
       I.            Conversão 
     II.            Arrependimento
  III.           

Estes três elementos formam a fé que salva. Esta Fé é ativa e estes são os  componentes ativos da Fé Salvifíca:
Conhecimento: Mero conhecimento não é suficiente para a Salvação.
     Em Tg 2:19, mostra que que os demônios crem, mas não são salvos.
 Em Rm 1:32, vemos um demonstração forte contra aqueles que por cinismo buscam legitimar as suas ações, mesmo tendo o conhecimento.


APROVAÇÃO: Jesus disse, em Jo 3:2, a N icodemos que aprovação não é suficiente .
     O Ap. Paulo em conversa com rei Agripa também demonstra que conhecimento e aprovação não são suficientes( At 26:27-28).  


 

CONFIANÇA PESSOAL:
 Em João 3:16, esta escrito que será salvo quem crer na na pessoa de Cristo.
No original, nEle crer significa crer na pessoa dEle.
Portanto, é preciso conhecer, aprovar e confiar na pessoa de Cristo e em tudo que Ele fez, faz e fará.
O cristão não pode permanecer na fé infantil(irracional e vulgar).
IMPORTANTE:
Obediência como evidência do “EU CREIO” é resultado da fé Salvifíca.
A Fé aumenta com o conhecimento de Deus. Rm 10:17


A salvação possui quatro componentes:
        I.            Adoção: Rm 8:15,23; Gl 4:5
      II.            Justificação: Rm 5:1,2
    III.            Redenção: I Co 6:20; 7:23
    IV.            Salvação(libertaçã):     Rm 8:24- Dimensão passada- Esperança
                                        I Co  1: 18- Dimensão presente- Poder
                                        Rm 13: 11 – Dimensão futura-Salvação Total



segunda-feira, 5 de março de 2012

O que é preciso saber sobre a Hermenêutica e a Exegese



Definição de “hermenêutica”:
A origem deste nome deve-se, provavelmente, a Hermes, nome de um deus grego que transmitia e interpretava as comunicações dos deuses aos homens.
Hermenêutica bíblica = a ciência e a arte de interpretação bíblica
Ciência: Possui regras classificadas num sistema ordenado;
Arte: A comunicação é flexível, impedindo uma aplicação mecânica e rígida das regras.
Regras da  Hermenêutica
1.      A Escritura interpreta a própria Escritura.
2.      Os textos mais obscuros devem ser interpretados à luz dos mais claros.
3.      Um texto não pode significar o que nunca significou.
Na verdade seu significado real é exatamente o que Deus quis que ele significasse quando foi escrito/falado a primeira vez.
A Necessidade da Hermenêutica
A Hermenêutica capacita o crente (leitor) a discernir, interpretar e a perceber boas e as não tão boas interpretações.
Exegese
Exegese visa, primeiramente, descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.
Para tal analisa- se o contexto histórico e o contexto literário (análise léxico-sintática) dos textos.
Portanto, Exegese é ato de extrair uma interpretação ou explanação clara e veraz do texto em estudo.

Obs: Geralmente, Jo. 10:10 é aplicado erroneamente, como vemos na imagem ao lado.

Pressupostos importantes para uma boa exegese
A Bíblia é a palavra de Deus dada nas palavras de pessoas na história. Antes de falar a nós, ela falou a pessoas condicionadas a uma cultura própria daqueles tempos e circunstâncias.
Não podemos começar tentando identificar o significado do texto para nós, pois corremos o risco de dar a ele o significado que quisermos. Primeiramente devemos escutar a Palavra que os antigos ouviram.
A Bíblia possui uma natureza dupla, ela é Divina e Humana.
Nunca faça doutrina baseado em texto isolado.
O Antigo Testamento é interpretado à luz do Novo Testamento.
O alvo da boa interpretação não é originalidade (Uma nova revelação-Inédita).

Embora um bom dicionário bíblico ajude, devemos ser cautelosos. Não se começa a exegese consultando um “perito”, especialmente por muitas vezes este “perito” na verdade ter consultado um outro “perito” e assim por diante.

Ex.: Mc.10:23-25.
Muita gente afirma que havia uma porta em Jerusalém chamada “Fundo da Agulha”,
pela qual os camelos só poderiam atravessar de joelhos. O problema é que nunca houve tal porta. Esta interpretação foi proposta por Teofilacto, um eclesiástico grego que simplesmente não entendeu o que Jesus disse.

Depois de entendermos o que a Palavra quis dizer para os ouvintes originais, devemos extrair o que essa  mesma Palavra representa para nós hoje. Isso não é simples, pois as instruções e admoestações Bíblicas foram dadas em um contexto histórico-cultural totalmente diferente do nosso, necessitando de ser ajustada à nossa realidade, sem perder a sua essência. Cada um de nós vê a realidade através de olhos condicionados ao nosso próprio tempo e cultura.