segunda-feira, 5 de março de 2012

O que é preciso saber sobre a Hermenêutica e a Exegese



Definição de “hermenêutica”:
A origem deste nome deve-se, provavelmente, a Hermes, nome de um deus grego que transmitia e interpretava as comunicações dos deuses aos homens.
Hermenêutica bíblica = a ciência e a arte de interpretação bíblica
Ciência: Possui regras classificadas num sistema ordenado;
Arte: A comunicação é flexível, impedindo uma aplicação mecânica e rígida das regras.
Regras da  Hermenêutica
1.      A Escritura interpreta a própria Escritura.
2.      Os textos mais obscuros devem ser interpretados à luz dos mais claros.
3.      Um texto não pode significar o que nunca significou.
Na verdade seu significado real é exatamente o que Deus quis que ele significasse quando foi escrito/falado a primeira vez.
A Necessidade da Hermenêutica
A Hermenêutica capacita o crente (leitor) a discernir, interpretar e a perceber boas e as não tão boas interpretações.
Exegese
Exegese visa, primeiramente, descobrir qual era a intenção original das palavras da Bíblia.
Para tal analisa- se o contexto histórico e o contexto literário (análise léxico-sintática) dos textos.
Portanto, Exegese é ato de extrair uma interpretação ou explanação clara e veraz do texto em estudo.

Obs: Geralmente, Jo. 10:10 é aplicado erroneamente, como vemos na imagem ao lado.

Pressupostos importantes para uma boa exegese
A Bíblia é a palavra de Deus dada nas palavras de pessoas na história. Antes de falar a nós, ela falou a pessoas condicionadas a uma cultura própria daqueles tempos e circunstâncias.
Não podemos começar tentando identificar o significado do texto para nós, pois corremos o risco de dar a ele o significado que quisermos. Primeiramente devemos escutar a Palavra que os antigos ouviram.
A Bíblia possui uma natureza dupla, ela é Divina e Humana.
Nunca faça doutrina baseado em texto isolado.
O Antigo Testamento é interpretado à luz do Novo Testamento.
O alvo da boa interpretação não é originalidade (Uma nova revelação-Inédita).

Embora um bom dicionário bíblico ajude, devemos ser cautelosos. Não se começa a exegese consultando um “perito”, especialmente por muitas vezes este “perito” na verdade ter consultado um outro “perito” e assim por diante.

Ex.: Mc.10:23-25.
Muita gente afirma que havia uma porta em Jerusalém chamada “Fundo da Agulha”,
pela qual os camelos só poderiam atravessar de joelhos. O problema é que nunca houve tal porta. Esta interpretação foi proposta por Teofilacto, um eclesiástico grego que simplesmente não entendeu o que Jesus disse.

Depois de entendermos o que a Palavra quis dizer para os ouvintes originais, devemos extrair o que essa  mesma Palavra representa para nós hoje. Isso não é simples, pois as instruções e admoestações Bíblicas foram dadas em um contexto histórico-cultural totalmente diferente do nosso, necessitando de ser ajustada à nossa realidade, sem perder a sua essência. Cada um de nós vê a realidade através de olhos condicionados ao nosso próprio tempo e cultura.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A IGREJA É IMPORTANTE?

C.S. Lewis sobre ir à igreja

Estava conversando com alguém sobre igreja (para variar) e me lembrei de uma história envolvendo C. S. Lewis e um velho santo de botas de borracha. Como não conseguia achar essa história em nenhum dos livros do C. S. Lewis que possuo, decidi “googar” por ela e a achei no blog Mere Theology.

C. S. Lewis frequentou a mesma igrejinha durante trinta anos. A experiência não tinha nada de extraordinário a cada semana. A maior parte daqueles anos Lewis não se importava muito com os sermões; ele até mesmo sentava-se atrás de um pilar para que o ministro não visse suas expressões faciais. Ele ía ao culto sem música porque não gostava dos hinos. E saía logo após a comunhão da Ceia provavelmente porque não gostava de se envolver nas conversas com os outros membros depois do culto. Mas a longa obediência numa mesma direção moldou a vida de Lewis de um modo que nada mais poderia.
Uma vez perguntaram para Lewis: “É necessário frequentar um culto ou ser membro de uma comunidade cristã para um modo cristão de vida?”
Sua resposta foi a seguinte: “Esta é uma pergunta que eu não posso responder. Minha própria experiência é que logo que eu me tornei um cristão, cerca de quatorze anos atrás, eu pensava que poderia me virar sozinho, me retirando a meu quarto e lendo teologia, e não frequentava igrejas ou estudos bíblicos; e então mais tarde eu descobri que era o único modo de você agitar sua bandeira; e, naturalmente, eu descobri que isso significava ser um alvo. É extraordinário o quão inconveniente para sua família é você ter que acordar cedo para ir à Igreja. Não importa tanto se você tem que acordar cedo para qualquer outra coisa, mas se você acorda cedo para ir à igreja é algo egoísta de sua parte e você irrita todos na casa. Se há qualquer coisa no ensinamento do Novo Testamento que é na natureza de mandamento, é que você é obrigado a participar do Sacramento e você não pode fazer isso sem ir à igreja. Eu não gostava muito dos seus hinos, os quais eu considerava poemas de quinta categoria com música de sexta categoria. Mas à medida em que eu ia eu vi o grande mérito disso. Eu me vi diante de pessoas diferentes de aparência e educação diferentes, e meu conceito gradualmente começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos (os quais eram apenas música de sexta categoria) eram, no entanto, cantados com tamanha devoção e entrega por um velho santo calçando botas de borracha no banco ao lado, e então você percebe que você não está apto sequer para limpar aquelas botas. Isso o liberta de seu conceito solitário.” (C. S. Lewis, God in the Dock, pp 61-62)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A HISTÓRIA DA CIGARRA E DA FORMIGA - VERSÃO GOSPEL



    Adaptado por Renato Vargens

    Era uma vez uma cigarra que vivia saltitando e cantando pelo bosque as músicas dos principais cantores gospel. Certa feita, enquanto decretava as bênçãos de Deus sobre a sua vida, a cigarra esbarrou numa formiguinha, que carregava uma folha pesada.
    ...
    Ao ver a cena inusitada, a cigarra falou:
     - Ei, formiguinha, para que todo esse trabalho? O verão é para gente aproveitar! O verão é para gente se divertir! Somos filhos do Rei! Somos herdeiros de Deus! Eu aprendi com o meu apóstolo que as bênçãos de Deus vem através dos decretos espirituais. Além disso, eu vi na televisão, um pastor dizendo que a prosperidade vem quando semeio ofertas em sua conta bancária. Eu creio nisso, e já até fiz um ato profético determinando a vitória em Cristo.

    Ao ouvir a cigarra a formiga replicou dizendo:
    - Não, não, não! Não é assim. A prosperidade vem pelo trabalho. Deus abênçoa aqueles que trabalham. É preciso trabalhar agora para guardar comida para o inverno.

    Ao ouvir a réplica da formiga, a cigarra pensou com seus botões:
    Pobre formiga, não entendeu a visão! É uma derrotada!

    No dia seguinte a cigarra passou de novo perto da formiguinha que carregava outra pesada folha e disse:

    -Deixa esse trabalho para as outras! Vamos nos divertir. Vamos, formiguinha, vamos cantar! Vamos dançar! Tudo que Jesus conquistou na cruz" é direito seu, é direito nosso!"

    Todavia, a formiguinha permaneceu firme no seu propósito de continuar trabalhando. Contudo, movida por compaixão e misericórdia a formiga disse a amiga:
     - Cigarra, se não mudar de vida, no inverno você há de se arrepender, Vai passar fome e frio.

    A cigarra nem ligou, antes pelo contrário, repreendeu a formiga dizendo:
    - Tá amarrado em nome de Jesus! Tudo posso naquele que me fortalece!

    Infelizmente para cigarra, o que importava era aproveitar a vida, e decretar a bênção. Para que armazenar alimento? Pura perda de tempo! Afinal de contas ela já tinha adquirido a Bíblia da prosperidade e com isso a imunidade as crises deste mundo.

    O tempo passou e com ele o verão. Certo dia o inverno chegou, e a cigarra começou a tremer de frio. Sentia seu corpo gelado e não tinha o que comer. Desesperada, foi bater na casa da formiga. Abrindo a porta, a formiga viu na sua frente a cigarra quase morta de frio que desesperada clamava:
    - Formiguinha, me ajude por favor, estou morrendo de frio.

    Ao ver o desepero da cigarra a formiga disse:
    - Ué? Mas você não tinha decretado a bênção? Não semeou as sementes da prosperidade? O que aconteceu?

    A cigarra constrangida respondeu:
     - Pois é minha amiga, eu estava errada. Fui enganada por esses falsos pastores e apóstolos e agora estou na mais profunda miséria.

    Pense nisso!
    Obs: Existe muito lobo em pele de ovelha. O verdadeiro lider de Cristo é servo. Ele não é dono de ninguém. Ele apenas vive a simplicidade do Evangelho.
    Abner Pedraça

      segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

      A igreja brasileira está preparada para ser uma potência mundial?

      Apesar de o último censo apontar que os evangélicos tiveram um retrocesso em seu crescimento e que o ateísmo cresceu em certas regiões do Brasil, a igreja evangélica deverá ter um crescimento vertiginoso nos próximos anos. Indicativos mostram que até 2025 os evangélicos representarão 50% do total da população brasileira. Entretanto, existem inúmeras dificuldades que tornam a igreja evangélica brasileira frágil e que podem comprometer seu crescimento. Mesmo que os números estejam corretos (e eles devem estar), corremos o risco de produzirmos uma igreja de crentes nominais, fenômeno que ocorre na Europa e EUA. Abaixo destacamos algumas dificuldades enfrentadas pela igreja brasileira.

      Dificuldade de articulação

      O pouco tempo do Protestantismo no Brasil produziu uma igreja multifacetada, com diversas lideranças regionais e nacionais. Conquanto o número de evangélicos brasileiros seja algo em torno de 40 milhões, as inúmeras correntes existentes no país possuem pouquíssima articulação. Primeiro, existe uma dificuldade de comunicação entre tradicionais e pentecostais. Segundo, não há comunicação mesmo entre as igrejas pentecostais. Um exemplo é a Assembleia de Deus. A comemoração do centenário foi realizada em dois locais diferentes da Grande São Paulo, pelas duas principais correntes: a do Belém (no Pacaembu) e a da Madureira (na Arena Barueri).

      Recentemente, mudanças na liturgia e de usos e costumes ocasionaram o desligamento de setores regionais que se opõem a mudanças bruscas. Disputas políticas e interesses econômicos também são uma das causas da existência de inúmeros ministérios e grupos pentecostais. Tentativas no sentido de aproximar tais segmentos, como os conselhos municipais de pastores, são propostas interessantes, mas que ainda não surtiram o efeito desejado. Uma das razões é a falta de concordância na apresentação de projetos, de compromisso e o uso político – partidário de algumas comissões.

      Dificuldade de estrutura

      A igreja evangélica brasileira investe pouco em projetos importantes, como cursos teológicos, missões e apologética. Com raríssimas exceções, encontramos igrejas que demonstram se preocupar com o desenvolvimento de uma estrutura sólida para seus membros. Quando falamos por estrutura, não estamos nos referindo apenas ao aspecto físico de uma igreja, mas também ao seu conteúdo interno. Logicamente que uma questão está ligada à outra. Onde há dificuldade de estrutura física (prédios, salas, departamentos), consequentemente há dificuldade na implementação de projetos. Na maior parte das igrejas, a escola dominical é realizada na própria nave da igreja, dificultando o aprendizado. Há outros problemas, como o investimento em setores que não dizem respeito diretamente ao trabalho de missões, a inexistência de um departamento de evangelismo e discipulado satisfatórios e a demasiada ênfase em templos luxuosos, com televisões de plasma e outros aparatos que dificultam o investimento nos setores estratégicos.

      Dificuldade de planejamento

      Diretamente ligada à questão da estrutura, está à dificuldade de planejamento. O fenômeno não ocorre apenas nas igrejas pentecostais – nas tradicionais, como a igreja batista, também é frequente. A adesão de algumas igrejas batistas ao Modelo de Bogotá (G12) é um indicativo de falta de planejamento, de estratégia evangelística. Não que o G12 seja um prejuízo ao Evangelho; pelo contrário, tem contribuído sobremaneira com o crescimento da igreja evangélica no Brasil e no mundo. A questão está na forma como algumas igrejas realizam os encontros, que beira o modismo teológico.

      Falta planejamento de trabalho nas igrejas. Enquanto seitas como as Testemunhas de Jeová possuem uma estratégia de crescimento, que inclui mapeamento de territórios, divisão de tarefas, cursos de preparação (Escola do Ministério Teocrático) e literaturas que focam o trabalho de campo, as igrejas evangélicas investem pouco nessa área. Razão pela qual perdemos espaço para o ateísmo e contribuímos para a proliferação dos sem-religião. Quando deixamos de estabelecer metas e investir em setores estratégicos damos vazão ao crescimento de outras religiões ou movimentos.

      Dificuldade de identidade

      Somadas às dificuldades de articulação, estrutura e planejamento, chegamos a uma igreja com uma profunda crise de identidade. Uma igreja sem identidade é uma igreja que não possui uma marca própria, um modelo que a diferencie de outros segmentos religiosos. Ao deixar de se preocupar com o planejamento, por exemplo, uma igreja perde em número e qualidade.

      A igreja evangélica brasileira se transformou em uma igreja de templos, de cultos rotineiros e com pouquíssimo trabalho externo. Os crentes passam mais tempo dentro de igrejas, do que em atividades externas. Precisamos de menos cultos e mais atividades externas. A igreja precisa dialogar com a sociedade, participar dos seus problemas e frustrações. Precisamos nos embrenhar na sociedade.

      Dificuldade de gerenciamento

      A atual dificuldade que a igreja brasileira atravessa está diretamente ligada à dificuldade de gerenciamento. A falta de preparo teológico, secular e interesse para com o crescimento são uma das causas do crescimento desordenado de algumas igrejas. A igreja tem experimento um crescimento significativo, mas a falta de estrutura, planejamento e construção de uma identidade própria são fatores que desqualificam tal crescimento. Enquanto igrejas de São Paulo possuem templos luxuosos, o investimento em missões decresce a cada dia. A causa está no mau gerenciamento, na falta de obreiros comprometidos com o crescimento sustentável da Igreja. Tais condições mostram que a igreja brasileira, apesar do crescimento real, ainda não está preparada para ser uma potência mundial. A mudança deve começar de cima para baixo.
       
      Fonte: INPR

      terça-feira, 8 de novembro de 2011

      JESUS, O DEUS ENCARNADO


      Por Abner Pedraça

      No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
      Ele estava no princípio com Deus.
      Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
      Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
      E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
      Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
      Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.
      Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.
      Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
      Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
      Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
      Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
      Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
      E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
      João 1:1-14


       

      Ao ler o Livro de João e refletir sobre Jesus, O VERBO VIVO,  cheguei a seguinte conclusão:
      ôs três verbos mais lindos são Amar, Perdoar e Reconciliar.
      Pois, foi isso que Cristo, O VERBO VIVO, fez por mim.
      Ele me amou, perdoou e reconciliou com o próximo.  

      sábado, 5 de novembro de 2011

      CUIDADO COM A SEITA CRECIENDO EN GRACIA

      Jesus Cristo desembarcou no aeroporto internacional do Rio na sexta-feira de manhã, vindo de Miami, com toda a pinta de turista: chiclete na boca, óculos de sol, Rolex no pulso e corrente de ouro no pescoço. Despontou no saguão, e as 300 pessoas que haviam madrugado ali foram ao delírio. Uma bateria de escola de samba deu início à batucada, e mulatas se requebraram em sinal de boas-vindas. Seguranças tiveram de abrir passagem. “Jesus Cristo” sorriu, deu a mão aos mais eufóricos e enxugou o suor do rosto com um lenço. Antes de entrar no carro que o levaria para um hotel cinco estrelas na Barra da Tijuca, outro êxtase: tirou o blazer e exibiu tatuado no braço um 666, o número bíblico da besta.

      Foi com essa tônica que o jornal O Estado de São Paulo descreveu a primeira visita de Jesus Cristo após se “reencarnar” na pele de um porto-riquenho. José Luiz de Jesus Miranda é o líder de uma igreja que proclama que o diabo foi destruído por Cristo na cruz e que o pecado não existe mais. Chamado de Cristo, Anticristo e 666, o líder portoriquenho criou uma legião de seguidores fanáticos que tatuam em sua própria pele o número da besta, que eles chamam de o "número da prosperidade". Aceitam apenas os escritos de Paulo, e rejeitam os demais livros da Bíblia - todos eles "corrompidos".

      Com discípulos em 30 países do mundo, o Ministério Cresciendo en Gracia é mais conhecido pelos "piquetes" que promove contra a Igreja Católica e os evangélicos. Na visita do Papa Bento XVI ao Brasil, em maio de 2007, cerca de cinquenta seguidores de Miranda foram presos enquanto protestavam em frente ao estádio do Pacaembu. Em Miami, onde são em maior número, eles são conhecidos praticamente por toda a sociedade e alvo de inúmeras especulações por parte da mídia local. Foi o jornal Miami Herald que trouxe as primeiras denúncias contra o fundador, que abriria uma ferida jamais fechada por seus seguidores.

      Infância conturbada

      Natural de Ponce, a terceira cidade mais importante de Porto Rico, José Luiz de Jesus Miranda nasceu em 22 de abril de 1946. Com uma infância conturbada, foi criado em meio à extrema pobreza e por várias vezes se envolveu em pequenos furtos, drogas e prisões decorrentes de sua vida desregrada. Aos 20 anos de idade (1966) disse ter tido seu primeiro "contato" com o Evangelho. Após participar de um culto, se "converteu" ao pentecostalismo e mais tarde fez-se membro da Igreja Batista. Antes disso, passou pela Igreja Católica e religiões nativas.

      Pouco tempo depois, José Miranda decidiu se mudar para os Estados Unidos, onde entrou em contato com a Igreja Batista do Sul. Em 14 de abril de 1971 casou com Nydia de Jesus, com quem teve cinco filhos.

      Obcecado por pesquisas escatológicas, dedicou parte do seu tempo ao estudo do Apocalipse. Após longas noites de reflexão, chegou à conclusão que João não compreendeu o verdadeiro significado da profecia. Ao consultar o mapa múndi, verificou que a cidade em que nasceu estava exatamente sob a latitude 66,6. A partir de então, começou a desenvolver a ideia de que a marca da besta estaria de alguma forma relacionada a ele.

      A revelação

      Segundo Miranda, a sua trajetória como “Cristo” teria começado em 1973, em Massachusetts, EUA, quando dois anjos (ou pessoas, segundo algumas versões) aparecerem e revelaram que ele era o Messias, o Cristo reencarnado que deveria trazer salvação completa aos homens. Foi a partir daí que ele começou a sua trajetória “messiânica”, buscando convencer a quem lhe desse ouvidos que ele era o “Cristo” reencarnado e que somente através dele o homem poderia alcançar a vida eterna.

      Por essa mesma época Miranda fez uma de suas mais críticas afirmações: “Eu sou maior que Jesus... eu ensino melhor que ele”. Obviamente, tal declaração é rechaçada pelos adeptos da seita que afirmam que seu líder jamais disse ser Jesus ou maior que este. O reconhecimento – da divindade de Miranda – se deu, segundo eles, pela própria Igreja Cresciendo en Gracia.

      Havia passado apenas seis anos desde que Miranda se “converteu” ao cristianismo, se destacou como pregador eloquente e plantador de igrejas, quando Deus teria vindo ao seu encontro e “revelado” sua missão. Algo semelhante acontece em outras seitas, como as Testemunhas de Jeová e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Charles Russel e Joseph Smith também provinham de famílias protestantes, que viam a Bíblia como a inerrante Palavra de Deus, mas que com o tempo mudaram sua forma de pensar. Foram influenciados por algo externo a eles, como revelações “sobrenaturais” e apóstatas do Evangelho. Seguiram o caminho de Balaão.

      A instrução de Paulo aos gálatas não nos deixa em dúvida: “Mas, ainda que nós ou um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que nós temos pregado, seja anátema” (Gál. 1.8). O Ministério Cresciendo en Gracia prega outro evangelho e, consequentemente, outro Jesus.
      Contradições

      A vida de José Luiz de Jesus Miranda é recheada de mentiras e contradições. Seus discípulos tentam ao máximo que podem esconder tais contradições, alegando que seu líder não tinha convicção (à época) de sua verdadeira vocação. Mesmo diante das negações, existem documentos que provam que Miranda jamais poderia ser Jesus (pelo menos não o do Novo Testamento).

      Em 1973, segundo exposto no texto acima, Miranda teria recebido a “revelação” segundo a qual ele seria a reencarnação de Jesus e que deveria combater os inimigos de Deus. Passados apenas 15 anos (isso em 1998), ele se levantou contra a "revelação" anterior e passou a se apresentar como a "reencarnação" do apóstolo Paulo. Isso mostra quão confuso e distante estava Miranda do verdadeiro Evangelho. Se ele era mesmo Jesus, por que tanta confusão quanto a sua identidade? Pelo o que sabemos dos evangelhos, Jesus jamais se confundiu no que dizia respeito a sua relação com o Pai e missão no mundo. Miranda parece ser um "cristo" confuso, porque ora se identifica com Jesus, ora com Paulo.

      Insatisfeito com sua condição de apóstolo "reencarnado", mais uma vez José Miranda se apresentou a igreja em Miami como o Cristo ressurreto. Isso é uma espinha na garganta dos seguidores, que para fugir da verdade argumentam que Miranda jamais disse ser Jesus. Segundo eles, coube a Igreja reconhecê-lo como Jesus, o salvador. Isso vai contra o que o próprio Miranda anuncia aos quatro cantos da terra, em entrevistas e teleconferências. Prova disso é que nem mesmo a sua família ficou ao seu lado. Segundo testemunhou posteriormente, seu esposo mentiu ao se revelar como Jesus, e que o interesse por trás era o dinheiro que ele poderia arrancar dos fieis.

      Mesmo diante das inúmeras críticas e denúncias publicadas em jornais dos EUA e Porto Rico, José Luiz Miranda prosseguiu em sua afirmação e foi mais além: em 2007, durante um culto na sede em Miami, tirou o casaco e surpreendeu a todos ao mostrar tatuado em seu antebraço o número 666. Foi à gota d'água para que pipocassem inúmeras outras denúncias e deserções. Muitos crentes, perplexos com a nova revelação do seu líder, abandonaram a igreja e passaram a fazer franca oposição a ele. Jornais, programas humorísticos, canais abertos e privados, exploraram o assunto por semanas. Virou o tema do momento. Mas era só o começo de uma série de irregularidades que viriam a público nos EUA e países latinos.

      Problemas com a justiça

      Para desespero dos que acreditam que José Luiz de Jesus Miranda é mesmo a reencarnação de Jesus, há inúmeras denúncias de enriquecimento ilícito e problemas conjugais envolvendo o líder portoriquenho. Essas denúncias foram trazidas à tona pelo jornal Miami Herald, que investigou a fundo o Ministério Cresciendo em Gracia, organização essa fundada em 1986 por Miranda. Tais denúncias põem em cheque uma vez por todas as pretensões de Miranda, pois revelam fatos até então desconhecidos do público em geral e dos seguidores da seita. Há uma blindagem no sentido de impedir que tais informações cheguem ao conhecimento de brasileiros e colombianos, povos alvos no trabalho de proselitismo na América do Sul.

      Pelo o que podemos absorver da história de José Miranda, não há nada que indique uma conduta tipicamente messiânica, com retos padrões de moralidade e pudor. Mesmo depois de se auto-proclamar como "Jesus Cristo" (2005, Flórida, EUA), aparentemente nada mudou na vida e ministério desse controvertido líder portoriquenho. Tamanha era a sua falta de sanidade que até mesmo sua mulher Nydia e seus cinco filhos o abandonaram, regressando para Porto Rico e organizando uma Igreja que denuncia os abusos cometidos por seu ex-marido.

      Depois de Nydia, José Miranda contraiu um novo matrimônio com Josefina de Jesus Torres, separando-se pouco tempo depois. Após esse novo matrimônio, José Miranda passou a frequentar com maior regularidade os tablóides dos EUA, acusado de não pagar a pensão a sua ex-mulher Josefina. Após uma sentença promulgada por um tribunal da Flórida, que determinava o pagamento das pensões, Miranda desapareceu dos EUA e somente algum tempo depois retornaria a Flórida. Em resposta, o juiz Roberto Pineiro determinou a desapropriação de alguns bens de Miranda, como uma casa em Houston, para pagar os cinco meses de pensão atrasados, num montante de 72.000 dólares.

      O principal motivo que levou Josefina Torres a pedir o divórcio, foram os constantes maus tratos praticados por José Miranda. Segundo consta nos autos do processo, Josefina testemunhou que seu então marido a empurrou contra uma cerca e emocionalmente a abusou, ameaçando enviar anjos da destruição para ela e seus filhos.

      Prostituição e poligamia

      Após esse divórcio, Miranda passou a ser acusado de manter relações sexuais com inúmeras meninas nos EUA e países latinos. No Brasil, suspeita-se que Miranda teria alguma relação com a cantora Rebequinha, que em vídeos no YouTube exalta Miranda como "Jesus Cristo homem". Aos oitos anos de idade, em um clipe gravado em uma praia do nordeste, um trecho da música cantada por ela causou uma grande polêmica: "Nem todas as riquezas deste mundo podem me separar de você José Miranda... você pode pegar uma legião de mulheres com chapéus de cowboy e franjando suas saias...". Em outro vídeo, feito já em sua maioridade, Rebequinha canta: "... podem falar o que quiser de mim, seu nome é José Luiz...".

      Seria mera coincidência o fato que em Honduras, após um culto celebrado por discípulos de José Miranda, um jovem chamado Hernandez procurou seu pastor e revelou algo surpreendente.

      "Eles nos disseram que nós podemos ter até 12 mulheres que não é errado, e se virmos alguma mulher na rua, podemos levá-la também".

      Hernandez revelou ainda o interesse do Ministério Cresciendo em Gracia de alcançar os evangélicos hondurenhos, além de comprar seus templos.

      José Miranda não é o Jesus do Novo Testamento

      1. José Luiz de Jesus Miranda

      a) Ostenta uma vida de luxo e badalação
      b) Casou duas vezes e é pensionista delas
      c) Foi viciado em heroína e por muitos anos esteve preso
      d) Em 1998 disse ser a reencarnação de Jesus, diferindo de 1973 quando afirmou ser Jesus.
      e) Promove violência e intolerância religiosa
      f) Está sendo processado por enriquecimento ilícito
      g) Aparece em uma lista da NNDB como uma das personalidades americanas pegas dirigindo embriagado

      2. O Jesus do Novo Testamento

      a) Não era rico, nem ostentava uma vida de badalação
      b) Não era casado nem pagava pensão
      c) Não era viciado em heroína ou em qualquer outra droga do gênero
      d) Jamais negou sua filiação divina, nem tinha dúvida de sua chamada
      e) Não incitava a violência e/ou intolerância religiosa
      f) Nunca se envolveu em escândalos financeiros
      G) Jesus jamais se intoxicou com bebida alcoólica


      Johnny T. Bernardo

      é apologista, escritor, jornalista, colaborador da revista Apologética Cristã e do jornal norteamericano The Christian Post e fundador do INPR Brasil (Instituto de Pesquisas Religiosas).

      sábado, 8 de outubro de 2011

      Antes de ser grande, é preciso ser pequeno

      Por Marcos Botelho
      Na ultima década tive o privilégio de conhecer centenas de trabalhos com jovens por esse Brasil. Encontrei líderes dedicados e jovens comprometidos, mas também ouvi muitas reclamações de grupos que não conseguiam “engrenar” um ministério com juventude forte e relevante na igreja.
      Quando passava o fim de semana com eles percebia que, aparentemente, o problema, na maioria das vezes, era simples, um problema de identidade.
      Todos eles queriam ser um grupo de jovens relevante, forte e grande, mas não percebiam a coisa mais básica do crescimento: para ser grande, é preciso ser pequeno antes.
      Nada pior para um ministério, ou uma reunião de jovens, agir como grande sendo pequeno.
      Estes dias vi um novo modelo de “moto”, ela tem todo o formato de moto, mas com 2 rodas na frente. Logo pensei, este veículo de 3 rodas, mesmo sendo muito bonito, conseguiu juntar o “pior” dos dois mundos, a insegurança e a desproteção da moto, com a falta de mobilidade do carro. Em um dia chuvoso ou engarrafado o dono dessa “moto” vai pensar: por que eu não comprei um carro ou uma moto?
      Se pensarmos como grandes, sendo pequenos, conseguiremos juntar o pior dos dois mundos e emperraremos o potencial do ministério e dos jovens.
      Um dos erros mais comuns dos ministérios com jovens é se reunir no salão (templo) principal da igreja. Os jovens estão todos lá, mas parece que não estão.
      Por exemplo: 30 jovens em um salão onde cabem 200 eles “somem”. Por natureza eles já não sentam juntos e também costumam sentar bem atrás. Com isso a reunião fica fria e impessoal, dando a sensação de que ninguém veio.
      Aproveite que vocês “ainda” são pequenos e vão para uma sala ou uma casa, sentem em roda, coloquem menos cadeiras do que o número de pessoas que vocês estão esperando. Assim, quando alguém chegar atrasado, todos abrem a roda para colocar mais uma cadeira, criando o sentimento de assimilação e crescimento.
      Muitos líderes não fazem isso por preguiça, pois o palco do salão já esta pronto com os instrumentos e tudo mais. Mas vale a pena o trabalho, sem contar com a “liberdade” de fazer um culto contemporâneo, coisa que às vezes não é permitido por estarem no “templo” da igreja.
      Conheci uma igreja nos EUA que se reunia em uma escola diferente todo fim de semana, todo sábado eles passavam 4 horas montando tudo e no domingo mais 3 horas desmontando. Conversando com o pastor sobre o trabalho que dava para fazer isso, vi que valia apena tudo, pois não tinham despesas com templo próprio, conseguiram levar a igreja até os jovens, nas suas escolas e, além disso, geravam a consciência de que o trabalho para Deus não podia ter preguiça, tinha que ser com excelência.
      Outra vantagem é no formato e na liturgia. Quantas vezes vi um culto de jovens começar com mais gente tocando no louvor do que nas cadeiras para louvar. Pra que tantos instrumentos? Pra que tanta gente no palco? Pra que palco?
      Se quem vai conduzir o louvor sentar na roda juntamente com todos, tiver um ou dois violões e quem sabe um cajón, todos vão se sentir parte do grupo que está louvando ao Senhor, as vozes vão se destacar, e o propósito de cantar em comunidade para Deus será enfatizado.
      E o melhor de tudo, da para fazer grupos de 3 a 5 pessoas para orar uns pelos outros, discutir os assuntos, ouvir a opinião desses pequenos grupos, fazer dinâmicas para assimilar melhor o que foi pregado, etc.
      Essas são algumas dicas de como humanizar (no melhor sentido da palavra) e focar mais o seu grupo de jovens. Tenho experimentado isso na minha igreja e tem feito a diferença.
      Mas para acabar quero dar uma notícia boa e ruim:
      A noticia boa é que se você desfrutar das coisas boas de ser um grupo pequeno você vai fortalecer o grupo de jovens e vai crescer, mas a noticia ruim é que logo você vai ter que repensar tudo de novo, porque você vai deixar de ser pequeno.